Autor(a): Guilherme Junkes | Vai Ser Rimando
Autor

Guilherme Junkes

Guilherme Junkes publicou 4562 textos.

Por que todo rapper deveria ter um site próprio

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O Vai Ser Rimando já passou por diversas fases, como eu já comentei tantas outras vezes por aqui. De 2012 a 2014, quando era focado em notícias e informações relacionados ao hip hop, cheguei a fazer mais de 10 publicações por dia. Nos últimos meses, considerei uma vitória conseguir manter uma média de uma publicação por mês. No entanto, mesmo com uma quantidade de publicações significativamente menor, o site continua recebendo visitantes novos – 95% das visitas ao site nos últimos 3 meses são novos usuários. É claro que o número de visitantes totais em relação à época de 10 publicações por dia é absurdamente menor, mas era de se esperar que sem muitas novidades, os novos posts atraíssem poucos (…)

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O rap que salva vidas da UniVersos, oficina de rap com crianças e adolescentes de Rio Preto/SP

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Quando bares e igrejas são basicamente os únicos locais sócio-culturais da quebrada, fica difícil não perder as crianças e adolescentes para o tráfico. “O investimento no lazer é muito escasso e o Centro Comunitário é um fracasso, mas aí, se quiser se destruir está no lugar certo; tem bebida e cocaína sempre por perto”, já rimava o Mano Brown lá em 1993, na “Fim de semana no parque”. Brown ainda reitera a falta de clubes poliesportivos e como todo esse agregado de “faltas” deixa a molecada sem incentivo. De fato, as atividades esportivas que um clube desses poderia oferecer com certeza traria uma nova perspectiva; o esporte tirou incontáveis jovens de uma possível vida no crime. Como bem me disse (…)

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Colin Kaepernick, um homem (negro) entre gigantes (brancos) da NFL

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Em 2016, em uma partida da pré-temporada (amistosa), Colin Kaepernick, então quarterback do San Francisco 49ers ficou sentado durante o hino nacional. Ao final da partida, ele disse que o fez porque não irá se “levantar e mostrar orgulho pela bandeira de um país que oprime pessoas negras e pessoas de cor. Pra mim, isto é maior que futebol e seria egoísta da minha parte olhar para o outro lado [fingir que não vi/não sabia]”. Se você tomar como base toda a tensão racial que existe no Estados Unidos e que foi amplificada nos últimos anos e as problemáticas levantadas (principalmente) pelo movimento Black Lives Matter, fica fácil de entender o protesto de Kaepernick. Pacifista até umas horas, vamos combinar. (…)

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Ideias que rimam mais que palavras

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Pode parecer clichê, mas eu realmente acho que é possível aprender muito com o rap. Ou, pelo menos, abrir uma tremenda porta pro conhecimento através dele. E nem me refiro aos ensinamentos de vida, como os versos do Racionais que “salvaram” tanta gente, mas a conhecimento como o que você deveria aprender na escola mesmo. No entanto, este não parece ser o senso comum. Aliás, esse foi um dos motivos de eu ter criado o Vai Ser Rimando; queria transmitir o que eu via de tão grandioso no rap pra que as pessoas pudessem ver também e aplicar em suas vidas. Lembro que, na época, tavam organizando um evento de marketing/publicidade/criatividade e sugeri chamar o Emicida como palestrante. É verdade que, (…)

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Como o rap me ajudou a contrariar as estatísticas e não votar no Bolsonaro

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ATENÇÃO: este post está cheio de fontes, referências e link úteis para continuar o conteúdo. Toda vez que o texto estiver em vermelho, recomendo que você, pelo menos, clique e dê uma olhada no que se trata. No momento que eu escrevo essa publicação, a mais recente pesquisa de intenções de voto para o 2º turno, feita pelo Datafolha, mostra que Bolsonaro teria 56% dos votos válidos; Haddad teria 44%. Assim, é bem provável que no dia 28 de outubro de 2018, o Brasil eleja como seu presidente alguém que já declarou inúmeras vezes apoio à ditadura e tortura, que, se eleito, fará as minorias se curvarem às maiorias e que colocará na prisão ou no exílio quem pensa diferente (…)

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Diss do Eminem pro MGK e por que rappers famosos param de batalhar

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Já fazia um tempo que não víamos nada do Eminem explodir mundialmente como foi o recém-lançado “Kamikaze”, uma espécie de álbum/mixtape surpresa. Ainda mais com aceitação da crítica também e não só do seu público. Menos de um ano depois de lançar o “Revival”, considerado por muitos um dos seus piores discos, o rapper meio que se escalou para uma missão suicida de cobrar todos aqueles que o zoaram nos últimos anos, principalmente pelos seus últimos trabalhos. É algo que ele meio que já tinha apontado em “Recovery”, mas tinha dado a entender que seria uma atitude errada, tomada apenas pelo seu estado emocional. Na “Talkin’ 2 myself“, por exemplo, ele chega a dizer que quase fez uma diss pro (…)

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Quebrada Queer e a coragem de fazer rap

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Nunca foi fácil fazer rap no Brasil. Até muito recentemente, acho que ninguém escolhia fazer rap; o rap é que escolhia os MCs. Não porque eu acredite que o rap escolhe quem é real, mas porque as perspectivas para rappers no Brasil não eram boas. As pessoas faziam rap quase que por necessidade, como se sentissem que não conseguiriam fazer qualquer outra coisa de suas vidas. E muitos destes, infelizmente, tiveram que descobrir de todo jeito essa outra coisa porque não conseguiram viver de rap. Dava pra contar nos dedos os grupos que conseguiram nos últimos 30 anos. Mesmo além das dificuldades financeiras, o rap nunca foi muito bem visto na sociedade. Então, mesmo que você fizesse rap apenas como (…)

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É possível dissociar um rapper da sua arte?

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Há algumas semanas, o rap foi pego completamente de surpresa com mais um caso de machismo e agressão à mulher. Através de suas redes sociais, Bivolt relatou que foi agredida pelo seu marido, o Neto, do Síntese. “Hoje, após ficar ouvindo do lixo que o Neto chama de irmão, que eu era sozinha, que não tinha amigos, que eu só tinha beleza e mais um monte de coisa de alguém que não sabe uma vírgula do meu corre. Pq é um boy, mimado e não sabe limpar o próprio cu, que não precisa fazer corre para pagar as contas, eu cuspi na cara desse lixo q tava falando isso dentro da minha própria casa. Resultado: o neto vem correndo e (…)

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Até jack tem quem passe um pano

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Recentemente, o rap brasileiro entrou em mais uma grande discussão sobre o machismo que permeia os ambientes onde ele é tocado, as pessoas que o tocam, seus vídeos e, principalmente, suas letras. No disco do Xamã, “Pecado capital”, disponibilizado no dia 22/05, mais especificamente na música “Preguiça”, Nog, do Costa Gold, rimou que “deixa ela dormir que se ela vira, eu como”. Xamã com Costa Gold nesse beat loco Tira o sono Deixa ela dormir que se ela vira, eu como Boto o cano na goela e atiro gozo Não cheguei a ver quem foi a primeira pessoa a compartilhar a linha e iniciar os questionamentos, mas bem pouco tempo depois já estava por todo lado. Foram tantas críticas que (…)

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“This is America” e a supervalorização das referências

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O rap acordou na segunda-feira do dia 6 de maio com aquele que muito provavelmente será o clipe mais falado do ano – e olha que não estamos nem na metade. Ou melhor, o mundo acordou desse jeito porque nas primeiras 24 horas foram 10 milhões de views pra conta de “This is America”, do Childish Gambino (hoje já são quase 250 milhões, só no Youtube). Talvez, você tenha ido dormir com o trampo já ressoando porque, na real, ele foi lançado em uma participação marcante de Gambino no Saturday Night Live, na qual ele apresentou o programa e performou o som em questão (os vídeos do programa não estão disponíveis para o Brasil, mas se você arranjar um jeito de ver (…)

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Mantenha o seu conteúdo livre a todo custo

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Já faz tempo que os serviços de streaming tomaram conta do mercado mundial. Se você quiser escutar uma música, assistir a um filme ou até mesmo à uma transmissão ao vivo, você pode facilmente encontrar um serviço de streaming adequado para cada um destes fins. E muitos outros. Se a explosão da transferência P2P de um Napster ou Kazaa nos fez trocar o espaço limitadíssimo dos nossos armários pelo gigantesco compartimento de bytes que é o nosso computador, o streaming chegou pra zerar a porra toda. Aliás, a necessidade de ter um arquivo digital da sua música é tão pouca nos dias de hoje que a venda de downloads digitais está menor do que a de CDs e Vinis! Embora (…)

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Quem mandou matar Marielle mal podia imaginar que ela era semente

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O assassinato da Marielle me deixou bolado. Ele me lembrou de um discurso da autobiografia do Dr. Martin Luther King Jr. que começa dizendo que “se você nunca achou nada tão querido e próximo que valha a pena morrer por, você não está apto a viver”. Eu acho isso forte demais. Eu não imagino que a Marielle chegou, literalmente, a fazer essa escolha de morrer ou continuar defendendo as causas que ela defendia, mas com certeza ela sabia das possibilidades e mesmo assim escolheu continuar lutando. Assim como fez Dr. Martin Luther King Jr. É preciso um nível de entrega, de verdade, de força interior muito grande pra isso. E se você acha que eu estou exagerando ao comparar os dois (…)

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Tássia Reis fala tudo em novo clipe e coleção de roupas, “Xiu!”

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Desde “Meu RapJazz” nos topo das paradas do meu radinho, Tássia Reis é uma daquelas pessoas iluminadas, que definitivamente veio pra marcar presença. E não só na música. A rapper agora também se aventurou na moda com a “Xiu!”, uma coleção própria de roupas. São 8 looks que unem conforto e liberdade, sem abrir mão do estilo e originalidade. “Como designer de moda acredito na liberdade de poder mostrar quem eu sou, de onde vim e onde estou”, disse ela à Marie Claire. Ao entrar também pro mercado da moda, Tássia Reis repete o que o Emicida fez com a “Lab” e o que outros tantos rappers têm feito. Além de uma ótima maneira de amplificar a sua presença como (…)

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Martin Luther King Jr.: a autobiografia de um movimento

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Quando se é criança, a diferença entre as etnias é apenas uma questão de curiosidade. Uma criança que não foi apresentada a nenhuma das inúmeras faces do racismo perguntará por que o coleguinha tem a cor da pele diferente da dele, mas apenas para tirar uma dúvida. Ninguém nasce racista, obviamente. Mesmo na década de 30, nos Estados Unidos, foi possível ver crianças de diferentes etnias brincando juntas. Quando elas começavam a ir para a escola, no entanto, as coisas tendiam a mudar. O Estado entrava na equação e separava as duas crianças, antes vistas como “iguais” por elas mesmas; os pais entravam na equação e afastavam seu filho do coleguinha de outra etnia para “protegê-lo”. Foi assim que Martin Luther (…)

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Tu também tem o dom de me emocionar, Projota!

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O Projota foi um dos primeiros rappers que eu realmente curti depois que comecei a entender melhor o rap brasileiro. O que ele, Rashid e Emicida fizeram foi um verdadeiro divisor de águas, não só na minha vida, como na do próprio rap nacional. Óbvio que não foram só os três, mas toda uma geração que conseguiu, principalmente, utilizar muito bem as novas tecnologias pra espalhar o seu som. O show do Projota foi, inclusive, um dos primeiros que frequentei; ele foi o primeiro de uma série de shows de rap que rolou entre 2010-12 aqui na região. Aliás, show de rap no interior de Santa Catarina nunca foi algo normal; aquele foi um momento diferenciado. É bem verdade que (…)

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O preconceito contra (ex-)presidiários também mata inocentes

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A esperança com a chegada de 2017, que, embora seja praticamente apenas uma mudança nos números do calendário, trazia uma luz, de acordo com boa parte da população, após um catastrófico 2016, parece não ter se concretizado. O ano mal começou e já tivemos um massacre com 56 mortos, em um presídio de Manaus. Talvez você nem tenha ouvido falar sobre o assunto ou tenha visto apenas de relance, pois houve pouca comoção nacionalmente. Afinal, entre os mortos estavam apenas detentos, uma disputa de facções. E para um país em que mais da metade da população (57%) acredita que “bandido bom é bandido morto”, isso não é surpresa. Muito menos quando o Secretário da Juventude desse mesmo país defende tais (…)

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