À la ebola, mundo “ignora” ataque terrorista de incontáveis mortes na África

Como aconteceu no caso do vírus ebola, que chegou à conta de 8 mil mortes, o mundo parece ignorar o ataque terrorista que matou inúmeros no início de janeiro, na Nigéria.

É verdade que depois de algum tempo a epidemia passou a ser noticiada com certa frequência, mas muitos acreditam que isso ocorreu apenas pela possível propagação para países de primeiro mundo, como acabou ocorrendo.

Quanto ao massacre causado pelo Boko Haram, existe ainda um fato adicional: tudo aconteceu na mesma época do atentado ao jornal francês Charlie Hebdo, que resultou na morte de 12 funcionários.

Se a expressão “Je Suis Charlie” (“Eu sou Charlie”) é uma das mais comentadas dos últimos tempos em qualquer meio, o mesmo não se pode dizer do ocorrido em Baga. A falta de cobertura é tanta que ainda há dúvidas sobre o número de mortes: alguns dizem ser 150, outros afirmam que foram mais de 2 mil.

Independente da estatística exata, a situação é gravíssima. De acordo com a Fórum, o chefe do distrito teria afirmado que “a maioria das vítimas são crianças, mulheres e idosos que não conseguiram fugir quando os insurgentes invadiram Baga, disparando granadas e fuzilando os habitantes”.

“Isso aconteceu há dez dias e muitos dos corpos continuam estirados no local onde tombaram”, lê se em outra matéria do site.

O objetivo dos combatentes do Boko Haram seria recuperar o controle da cidade. Nenhum chefe de Estado do continente ou do mundo teria se pronunciado sobre o caso ou oferecido apoio, muito diferente do que aconteceu na França.

Se a opinião de alguns médicos africanos sobre o ebola era que o vírus ainda não tinha cura por “só matar africanos”, o mesmo pode se dizer do terrorismo local. As ações dos grupos radicais já duram cinco anos e mataram mais de 10 mil pessoas apenas em 2014.

O mundo inteiro é Charlie, mas… quem é Baga?

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