Inquérito grava poesia “Canto das Negras Lágrimas”, do Poeta Sérgio Vaz

Atualizado em 02/11/2012

Quando você junta dois monstros da cultura de rua brasileira, você só pode esperar qualidade. Para o projeto “Reversos – Instrumentalizando a poesia”, do site Negodito, o grupo Inquérito foi chamado para musicalizar os versos de Sérgio Vaz, na poesia inédita “Canto das Negras Lágrimas“.

E que música! Quando cê lê que juntaram Inquérito com Sérgio Vaz, cê já se arrepia. Quando você dá o play então, você só consegue pensar que isso já devia ter sido feito antes. É poesia e cultura de rua na sua melhor forma, daquelas que dá orgulho de ser apaixonado por essa arte.

O vídeo acima, filmado pelo Vras77, mostra um Renan ansioso pela honra de gravar os versos de Sérgio Vaz. Não é pra menos, o poeta, criador do Sarau da Cooperifa, é um dos grandes representantes não só da Literatura Marginal brasileira, como do nosso Hip Hop como um todo. Não à toa foi citado na música “Poucas Palavras“, do próprio Inquérito, que homenageia importantes nomes da cultura de rua do país.

Conhecemos o Renan como um dos melhores letristas do país, mas mesmo dando voz à letra de outra pessoa, não poderiam ter escolhido melhor. Não só pelo fato de viver a cultura de rua como poucos, mas ele próprio escreve poemas, o que deu um toque especial e bastante verdadeiro à gravação. Sem contar que o Pop Black chegou pesado nas vozes de apoio!

Abaixo cê confere a letra e o download oficial da música:

Inquérito e Sérgio Vaz – Canto das Negras Lágrimas by portalrapnacional

Letra: (Joguem as correções nos comentários!)

Se o mar está tão *, é claro que precisa escurecer
Se me cai uma lágrima, esta lástima… alguém vai ter que beber!
(x2)

Afundei o navio negreiro do meu coração
Não me sinto escravo de nada, sei nadar
Só que ele ainda veleja na memória
Como sangue derramado no mar
Que além mar, ao sul do Gabão
A dor que se vê na pele vai te afogar
Ainda que falte ar à história, uma rima me faz respirar
Poetas e marujos mergulham na solidão
Enquanto nos becos sujos ou em porta de bar
Do fundo da noite sem estrelas
O canto torto das galés se faz escutar

Se o mar está tão *, não precisa escurecer
Se me cai uma lágrima, esta lástima… alguém vai ter que beber!
(x2)

Calar a boca branca da escuridão
Com o grito retinto da voz *
Usar uma letra faminta como isca que belisca quem não sabe pescar
Nas noites profundas da imensidão, o poema revolto agita beira-mar
Povo com os pés limpos de areia, outrora a nau sem rumo vai se encontrar
E o canto torto das galés vai se fazer escutar

Se o mar está tão *, é claro que precisa escurecer
Se me cai uma lágrima, esta lástima… alguém vai ter que beber!
(x2)

Amanhecer da noite
Juntar as mãos para que nenhuma fique livre pra açoitar
Vamos cuspir o navio entravado na garganta
Para que negras lágrimas não naveguem mais

DOWNLOAD OFICIAL

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