Gabriel o Pensador desabafa sobre relação com a Cone Crew Diretoria

Atualizado em 08/01/2016

Gabriel o Pensador há muito tempo publica fotos com os integrantes da Cone Crew Diretoria, gravou uma música com eles para seu novo CD e participou de alguns shows.

Com as críticas recorrentes em relação ao grupo ser “modinha” e o erro do rapper em aparecer com eles, Pensador utilizou sua página no Facebook para desabafar:

Sobre a CONE CREW: vi que muitos fãs meus deixaram recados questionando minha participação no show da CONE, alegando que não tenho nada a ver com eles porque “são modinha” e falam muito de maconha, entre outros defeitos. Pra começar, eu conheci essa galera a partir do freestyle e o freestyle não tem a pretensão de ser rap consciente, é outra onda.

Pra quem não sabe, grandes nomes do rap internacional, considerados quase unanimemente como “rappers de verdade”, passam longe dessa intenção de “pensador” que eu e alguns outros temos, de usar o rap como ferramenta (entre outras funções) de transformação social, mental, anímica, comportamental…

Snoop Dogg, Run DMC, Beastie Boys, Too Short, Ghetto Boys e vários outros nomes de peso fazem/faziam um som muito mais pra tirar onda, mostrar que têm um bom flow e boas rimas do qualquer outra coisa realmente mais séria. E isso é uma constatação, não uma crítica, apenas pra galera se lembrar um pouco do que é o rap (felizmente ou infelizmente), antes de tratá-lo como uma seita, religião, partido político ou algo assim.

Tiração de onda é o que mais tem no hip hop, às vezes errada, mas é muito comum. Podem até entender que estou comparando CONE CREW a Snoop Dogg e vão dizer que é um absurdo. Mas não é. Cada um tem seu estilo e suas motivações pra fazer rap. Não é absurdo misturar Eminem com Emicida, Racionais com Gabriel, Black Alien com CONE, Public Enemy com 2LiveCrew… Todos podem ser chamados de modinha, e já foram modinha pra muitos, ainda bem.

Ainda bem que o Bob Marley foi modinha no mundo inteiro um dia, assim eu pude conhecer sua linda obra, mesmo que talvez boa parte do seu sucesso comercial se devesse à sua defesa da legalização da maconha. A partir do Bob, eu conheci o Peter Tosh, o Black Uhuru… a partir disso tudo nasceram o Edson Gomes, o Cidade Negra, o Natiruts, etc, etc.. e por aí vai.

Gabriel o Pensador já foi modinha? Acho que sim, não sei se o termo era modinha, mas foi uma febre absurda, que fez a molecada começar a ouvir rap em lugares onde não se ouvia, pobre, rico e classe média… E a partir dessa febre ou modinha, o rap da periferia ganhou mais espaço no rádio e na TV também (Bill, Racionais e outros), na época, porque as gravadoras e as rádios viram que o público consumia isso, com a venda de um milhão e meio do meu CD Quebra-cabeças, e o enorme sucesso do CD independente dos Racionais como dois exemplos marcantes.

E a partir dessas “modinhas” (que ao longo do tempo provariam que eram bem mais do que isso), várias sementes forma plantadas, surgiram muitos rappers que hoje têm 18 ou vinte e poucos anos, cheios de gás, e entre eles, a CONE CREW DIRETORIA, que se destacou um pouco mais com seu jeito irresponsável de ligar o fôda-se pra quase tudo.

A favor da CONE eu posso dizer duas coisas:

Com conteúdo porralouca e descompromissado, estão atraindo uma molecada pro gênero rap. Meus filhos, de 7 e de 10 anos de idade, por exemplo, não ouvem Sabotage ou Racionais, nem rap americano, nem minhas músicas eles ouvem tanto. Ouviam o que tocava nas rádios e alguma coisa pescada de carona da mãe (com quem moram) ou do pai. Já tinham alguma noção, é claro, pelo meu som, o mais novo até fazia um beat box de brincadeira, mas nunca fiz questão de mergulhá-los de cabeça no rap. Nem tive tempo pra isso, porque de repente os dois chegaram na minha casa fazendo rimas, cantando letras longas de rap, curtindo uns beats, buscando coisas no youtube. A partir da CONE, já passaram a se interessar por batalhas e outras coisas. E o melhor de tudo: não começaram a fumar maconha por causa das letras (pelo menos que eu saiba!), assim como eu ouvia muito Bob Marley no auge da minha fase mais careta quase xiita contra a bebida e as drogas.

Outra coisa a favor da CONE:

O que seria mesmo? Esqueci! Haha, tô brincando! (só pra descontrair hehe) É o seguinte, os caras são espontâneos, autênticos, muito mais do que vários artistas respeitados de várias áreas que fingem ser o que não são. Abriram seu próprio caminho de forma independente e cresceram ralando, fazendo shows, clipes, gravando e soltando música pra galera na internet. Papatinho manda bem na produção e todos mandam bem no vocal, Maomé começou a rimar no manicômio (adorei essa história!), então não queiram julgá-los como outra coisa ou querer que sejam o que não são.

Nenhum deles é marrento, pelo contrário, declararam-se como meus fãs e eu criei carinho por eles, mesmo que falem merda e que eu discorde de algumas coisas, estou torcendo pelos caras e pela liberdade de expressão que eles defendem. O Ari trouxe essa foto (a foto desse post, que mostra ele, eu e a irmã em 1997) pro estúdio e me contou que começou a fazer música por minha causa, o Papatinho tinha uma história parecida com uma foto ou video ouvindo minha música Lavagem Cerebral na sala de aula, o Maomé contou que machucou o braço quando descia um tobogã cantando uma letra minha… e por aí vai.

E os meus filhos ficaram empolgados e me pediram pra ir junto comigo ao estúdio quando eu falei que os moleques da CONE iriam participar do meu CD. Fiz uma letra sobre o tempo, sobre o valor do tempo, e estimulei os caras a refletirem, cada um um pouco, livremente sobre isso, em dois ou três dias antes de gravarmos. O resultado ficou muito bom, comprovando que eles têm mesmo talento (www.gabrielopensador.com.br).

Se eu fosse responsável pelo que eles escrevem, dizem ou fazem, pararia pra ouvir cada uma de suas letras e assistiria aos seus shows com um olhar crítico, como vocês estão fazendo, mas não fiz esse “estudo” nem dei uma de censor antes de fazer essa parceria com o grupo, pois não é dessa forma que eu decido o que devo fazer, ou onde ir, em que programas ou emissoras de TV me apresentar, pra quais jornais posso dar entrevistas, pra quem posso ou não sorrir, com quem eu posso ser fotografado ou esse tipo de babaquice que eu canso de ver aqui neguinho criticando, cobrando “pureza”, falando demais.

Sabem como eu decido essas coisas? Escuto os corações, como um cardiologista, e gostei do que escutei nos corações da CONE, no meu e nos dos meus filhos ao fazer essa parada, e isso pra mim já basta. Obrigado, CONE CREW, tamo junto. Mas como respeito muito a opinião dos fãs, parei aqui pra gente refletir um pouco junto sobre tudo isso, e até mesmo pros moleques da CONE darem uma olhada depois, como ja devem estar fazendo, sentindo o peso da fama (com inveja e recalque que aumentam muito as críticas também) e avaliando as consequências de alguns dos seus gestos ou discursos.

Tem uma coisa que me incomoda na onda da CONE CREW, se querem saber, e não é a postura de doidão, que é diferente da minha mas não posso condenar, senão eu não curtiria rockeiros como Jimmy Hendrix ou Raul Seixas, nem poderia ouvir Cazuza ou Renato Russo, se fosse ouvir só quem fosse careta. O que eu acho meio “over” é quando eles começam a detonar os sertanejos daquele jeito escrachado, mandando se foder, falando o nome dos artistas, apesar de ser legítimo dar voz a uma galera muito numerosa que detesta o estilo.

Então, pra terminar, mudando um pouco o foco, vou criticar a CONE porque eles criticam o Michel Teló, e eu acho o cara maneiro, tem qualidade musical, toca e canta bem, já o vi tocar sanfona e cantar sertanejo de raiz e achei bonito o que ele tava tocando e cantando. Merece o sucesso que faz. Hahaha, agora me detonem porque eu elogiei o Michel Teló! Ou parem um pouco pra pensar, antes de falar demais. E de preferência pra fazer, em vez de só falar de quem faz.

Um comentário

  1. Avatar
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    16/07/2015
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    Eu Gosto muito de cone crew , e michel telor acho mt bem , frizar oque o gabriel falo , mais igual as pessoas falao ne , cada uns cm tuas pira ! , e a pira da cone e maconha, cachaça e mais um trago rs !

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