Emicida e Marcelo D2 representam o RAP Brasileiro no SWU 2011

Atualizado em 08/01/2016

Como vocês já devem estar sabendo, o show do Emicida não foi transmitido em lugar algum. Tão dizendo que o Multishow não quis passar, por ele ser VJ da MTV. Eu prefiro não acreditar, pois seria uma babaquice sem tamanho, uma falta de respeito com o público do próprio canal. Enfim, felizmente, a internet nos proporciona a chance de saber como foi mesmo sem estar lá… mas será?

A procura por informações e vídeos começou logo ao final da apresentação. Achei vários relatos da “mídia especializada” e tentei ler o máximo que conseguia, por mais que a maioria dizia quase a mesma coisa, como se copiassem um do outro (com todos os erros inclusos). Entretanto, tinham certas postagens de gente que realmente parecia ter estado lá. Algumas me deixaram orgulhoso, outras me deram “medo”. Medo de um show fraco, de uma escolha de músicas errada. Logo do Emicida, que sempre fez shows ótimos, fossem eles locais ou “para a massa”.

Por sorte, o tal “medo” não durou muito. Além de relatos do próprio Emicida e de sua equipe, ele postou, no dia seguinte em seu twitter, o set list que utilizou:

Emicida no SWU 2011 - Set List

“Os caras” da cobertura do SWU que me desculpem, mas como vocês não dão valor a um show que tem essas músicas? Emicida cantou partes importantes da história de uma cultura inteira somadas às partes de sua própria vida, fez uma puta linda homenagem ao RAP, e os caras simplesmente passaram por cima, constaram.

Vocês podem até entender de algum tipo de música, mas vocês não entendem o RAP. Pra curtir não precisa sair pulando que nem um louco, às vezes é só jogar a mão pro alto e sentir a música, arrepiar-se quando ouve alguém relembrar de Tic-Tac:

Teve veículo dizendo que o Emicida poderia até ser confundido com um “artista cover” por cantar tantas músicas de outros autores. Comentário ridículo! Não só uma homenagem, mas uma resposta. Como se ele dissesse “acho ótimo que vocês curtam os novos nomes do RAP, mas essa parada começou bem antes, é uma história bem maior”. Aliás, como o próprio Emicida tuitou: “Sabe por que cantei tantas músicas de outras pessoas no show de hoje? pra mostrar que isso não começou ontem…

Tiveram também os caras que disseram que o público até gostou, mas era pequeno e teve que se esforçar. Claro que era um público menor, era a primeira atração, às 15h, mas dizer que faltou empolgação da galera presente? Como disse o Fioti, irmão do Emicida, “o pessoal ai viu outro show“.

Marcelo D2 e o momento histórico do RAP Brasileiro no SWU

Enfim, deixemos os faladores de lado que ainda havia mais uma atração do RAP Brasileiro: Marcelo D2! Como já disse, não fui ao show, mas parece que D2 agradou. Fazendo uma mistura de sua carreira solo com músicas da época do Planet Hemp e versos de Bezerra da Silva, o rapper chegou até a soltar um “Eu sou o maconheiro mais famoso do Brasil” durante o show.

A maioria das resenhas comenta o espaço dedicado ao beatbox de Fernandinho Beatbox com a reprodução da parte instrumental de “Sunday Bloody Sunday”, do U2, onde Marcelo D2 até soltou uns versos do som.

Dando uma olhada nos vídeos acima e na set list, lançada pelo site “Rock em Geral“, parece realmente ter sido um show da hora:

1- Vai Vendo
2- A Maldição do Samba
3- A Procura da Batida Perfeita
4- A Arte do Barulho
5- Gueto
6- Desabafo
7- 1967
8- Eu Tive Um Sonho
9- Pode Acreditar
10- Oquêcêqué?
11- Profissão MC
12- Stab
13- Contexto
14- Queimando Tudo
15- Mantenha o Respeito
16- Loadando
17- CB Sangue Bom
18- Qual é?

Aliás, essa “18 – Qual é?” ficará marcada como um dos ótimos momentos do RAP Brasileiro. Pra realmente fechar com chave de ouro. Não apenas por ser uma das músicas mais fodas dele, mas pelo que aconteceu. Até poderia ficar aqui falando, mas quando se tem Marcelo D2, Helinho e Emicida no palco é melhor só ver, sentir e escutar:

“É tiro, é pobreza, é miséria. Mas o amor no nosso coração ainda é uma parada séria”. Como vocês puderam ver, o RAP Brasileiro foi e está sendo muito bem representado. Seja com a homenagem monstra e freestyle de Emicida ou na empolgação e história de Marcelo D2. Estamos vivos, certo KL Jay?

É uma pena que os veículos de comunicação com sua “mídia especializada” foquem-se tanto nas atrações gringas e esqueçam de mostrar e dar valor às apresentações locais, principalmente em eventos desse tamanho. Mas, deixa pra lá, enquanto a internet for internet, nós temos a obrigação de correr atrás e suprir esse defeito.

Afinal, se a gente não tiver por nóiz, quem vai estar?

#vaiRAP

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