“O crime no Brasil só compensa pra quem é rico”, afirma Eduardo em entrevista a adolescentes

No último sábado (14), os organizadores do Jornal Futuro disponibilizaram o áudio de uma entrevista com o Eduardo, ex-Facção Central.

Criado na Escola Municipal Alberto Santos Dumont pelos estudantes, o Jornal aproveitou a presença do rapper na escola para uma palestra e gravou uma entrevista sobre o seu livro, “A guerra não declarada na visão de um favelado“, e suas letras.

A experiência que você tem só de passar numa cadeia é que o crime não compensa. O crime no Brasil só compensa pra quem é rico. É só o cara lá que tem um hipermercado, que ele pode vender comida estragada e ainda lucrar com isso e ficar livre; é só o político que pode desviar um monte de verba da escola, merenda, pode roubar moradia, enfim, pode cometer o crime que quiser que ele continua livre.

Embora Eduardo trate de vários assuntos que já o ouvimos debater em tantos outros casos, é interessante ver a participação dos adolescentes nesse meio e as respostas sem censura, sem enfeite, apenas a mensagem direta; a própria música “Cartilha do ódio” foi estudada em sala de aula, de acordo com o áudio.

Vamos falar até sobre essa matéria que tá mais em pauta, que não sai do jornal: do menor que atirou na cabeça do aluno. Ele atirou? Tudo bem. Mas aquela arma foi fabricada na periferia? Não foi. A carência é culpa dele? Não é. Ele também é vítima. Quando você faz uma música mostrando o que faz a pessoa ir pro crime, o que torna ela violenta, na verdade você tá mostrando o quanto a engrenagem do sistema é desumana, o quanto ela não se importa.

Por fim, o rapper deixou um recado não só para os presentes, mas todos que ouvirem a entrevista, principalmente as crianças e adolescentes.

Estudar, ouvir o professor, obedecer o pai e a mãe. Não posso dizer que é a chave do sucesso, mas é o primeiro passo pra um futuro ameno, pra um futuro digno. Essa é a idade mais importante da tua vida. O homem do futuro depende da criança e do adolescente nesse momento. Se errar agora, paga o preço depois. […] Se você plantar o bem agora, cê vai colher o bem depois; se você plantar o mal agora, infelizmente, vai colher uma vida ruim depois.

 

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