Diário de Bordo: parte 2 – Rashid (prod. DJ Caique)

Atualizado em 09/01/2016

Antes do lançamento da lista de músicas da mixtape Dádiva e Dívida, eu havia feito uma pasta com as músicas que o Rashid já tinha lançado que poderiam estar no cd. Uma das músicas na pasta era “Diário de Bordo“, pois pela qualidade, eu tinha certeza que estaria no cd. Não estava e eu não sabia o porquê. Rashid respondeu, mesmo sem saber.

Diário de Bordo é um trabalho maior, acima de um single, é um projeto. Músicas de 3-4 minutos, sem refrão, rimando de forma mais simples e pesada possível o que tá rolando. Não tem embromação. É uma batida pesada do Dj Caique e rimas fortes e frias do Rashid… pra que mais?

As duas partes criadas até hoje ficaram parecidas, seguindo o mesmo estilo. Obviamente, diferentes letras, flows e batida. Mas o peso é o mesmo. O caminho que a música segue também. Afinal, como Rashid mesmo diz “A missão ainda é a mesma”. A felicidade pro RAP é que é um caminho bom, duas músicas muito boas! Acho que além da melhora na qualidade da produção, creditado provavelmente à evolução de alguns equipamentos, uma outro destaque é a maior quantidade de “punchlines” em Diário de Bordo: parte 2. Sabe quando você escuta uma frase foda numa música e quer reproduzir no seu twitter/facebook? Poisé, na parte 2 dá vontade de reproduzir todos os versos…

Letra: (Fonte: Rashid)

Guio minhas ovelhas feito um bom pastor/
Protejo minha família feito um cão pastor/
Ouço a cidade cinza pedindo mais cor/
Mas por esporte o homem só te dá mais dor (mais dor)/
A violência é tão sem freio quanto o seu flamengo/
Hiroshima, nagasaki, realengo/
Guantanamo, Iraque/
Geração sem atletas, os únicos faixa-preta são Gardenal e Prozac/
Geração Coca-cola, geração cocaína/
Não temos heróis nas ruas, só temos heroínas/
Sejam bem-vindos ao canil/
Temos pitbulls de canivete e chiuauas de fuzil/
Mano, isso é Brasil/
Os nossos cortam cana enquanto os gringos fazem turismo sexual no Rio/
Instruções vide bula/
Quem põe o dedo onde não é chamado, fica com um a menos, tipo Lula/
Viu? A posição desse povo é nula,
Se a questão é difícil pula/
Só que eu to mais pra gorila nessa selva, e não mula/
Seu ensino bitola/
Mas quem você chama de macaco faz os sons que você mais rebola! (tendeu!)/
Vagabundo sai da escola em coma/
Na faculdade, ter dinheiro é igual ter diploma/
Minhas idéias são uma doença que te toma/
E balançar a cabeça ouvindo esse Rap é o primeiro sintoma!/
Escolha suas armas! Eu escolhi as minhas nessa treta/
Derrubarei exércitos com uma caneta/
O tempo passa e ninguém segura a ampulheta/
Falsidade é mato, eu enxergo sem usar luneta/
Mas eu não sou desse planeta, onde conversam de bereta/
E desconversam quando tropeçam/
Por ter jogado seus direitos na sargeta/ e trancado qualquer
chance de mudança na gaveta/
Só sei dizer que…

Foco na missão…

Fiz um pouco de flexão/
Escutei um facção, acordei da ficção/
Políticos, vi que são, vulneráveis pique jão/
Que não sabem o poder que tenho com uma Bic em mão/
Fricção, se o mundo precisa de um emporrão/
Meu dever é fazer força, pra ‘noiz’ sair da forca/
Chamada corrupção/
Por que, meu povo e eu somos um vulcão, prestesa entrar em erupção/
Danem-se! Empresários e seus trâmites, Illuminatis e suas pirâmides/
Aí, sou Muhammed Ali/
Eu sou Spike Lee/
Pé de barro de Ijaci, vocês tentaram que tentaram mas ó, cheguei aqui/
Diz aí, vivi com o necessário/
Sem festas de aniversário, sem medo de monstros no armário/
Com histórias pra lotar um diário/
Tendo mais medo de um policial insatisfeito com o salário/
Vendo a função de perto, assistindo a nação de longe/
A frieza sem noção me fez um monge/
Certo do que não era certo fazer/
Mas era esperto pra ver, tando certo ou não, dava mais certo correr!/
Vai que vai, você tá ligado!/
Sou transparente como a água, mas minha pele é escura como seu passado/
Se os States colocaram a bandeira na lua/
A gente não, a gente põe a bandeira na rua!/

Foco na missão…

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#vaiRAP

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