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Guilherme Junkes

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Emicida e Drik Barbosa

Por que o verso da Drik Barbosa, em “Mandume”, foi a melhor coisa que escutei em 2015

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Pouca coisa tem me chamado atenção de verdade no rap nos últimos anos. Não sou um daqueles ignorantes que acha que a cultura tá morta, que não se fazem mais rappers como antigamente, e outros absurdos nessa linha. Prefiro acreditar que eu tenha escutado muita coisa em pouco tempo e tenha “enjoado” de certos quesitos ou simplesmente que tô ficando velho demais pra certos papinhos rimados. É bem verdade que me afastei bastante no ano passado; o site aqui ficou praticamente parado. No entanto, nada disso importa quando um verso de alta qualidade cutuca seu ouvido. A cadeira ainda faz o mesmo barulho ao bater no chão depois que você se levanta muito rápido berrando “UOU”. O verso da Drika (…)

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Só tem dois tipos de rap, dois, digo: o bom e o ruim

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Acho que chegou a hora de colocarmos um ponto final numa das maiores discussões do RAP brasileiro. E não sou nem eu quem está sugerindo isso, é o próprio RAP através de entrevistas com mais de 40 de seus integrantes, no documentário “O rap pelo rap”. Quando mais de uma dúzia dessas pessoas responde a pergunta “O que é o rap pra você?” de inúmeras formas diferentes, não precisa ser um gênio pra pegar a dica: não há uma definição para o RAP, não existe uma cartilha. Deu de perpetuar aquela ideia de que isso ou aquilo não é RAP; não existe uma regra geral e não existe juiz algum também. Ou aquelas de que esse rapper faz esse tipo (…)

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Amante da madruga, Kamau lança “Fuso”, primeiro single do CD “Licença Poética”

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A capa do single pode retratar o colorido nascer do sol, mas não se engane: Kamau é um amante da madrugada. Quando tá todo mundo batendo ponto pra entrar, ele tá batendo de saída. Embora não exista essa rigidez toda, afinal, ele faz parte daqueles que escolheram “não trabalhar de uniforme”. Sim, Kamau faz do trabalho, música, à la “Música de trabalho“. Por si só, isso já seria motivo suficiente pra viver na noite, mas a questão vai além: transformou-se em um habitat natural (“O silêncio em volta soa como música”), um ambiente de potencialização, mesmo que os cientistas digam o contrário. A relação tá tão próxima que ele até montou uma lista no Spotify pra “Depois da meia-noite” (sabe aquelas mixtapes que cê dá pra (…)

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Terceira Safra lança música “Tímidos” inspirado por verso do Kamau

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A inspiração pra um RAP pode surgir de tudo quanto é lugar; até mesmo de outro RAP. Assim como uma nova batida inteira pode surgir de um sample, uma nova música completa pode surgir de apenas uma linha. Foi o que parece ter acontecido no novo som do Terceira Safra, “Tímidos”, lançado nesta terça-feira (21). É verdade que o trio não chega a afirmar o caso e é possível que a relação e a colagem no fim tenham sido feitas pós-faixa pronta, mas a maneira como o verso de “É ela” traduz a nova canção é flagrante. “Minha timidez dessa vez não pode atrapalhar, se é pra chegar que seja, se ela me deseja, com toda essa beleza, cê tem (…)

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“Devaneios Retianos” e a ascensão dos clipes de RAP no Brasil

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Esses dias, meu mano Ayrllys Allan me chamou no Facebook de novo pra mostrar um de seus mais recentes trampos relacionado ao RAP. A última vez que isso aconteceu, lançamos aqui no site o clipe não-oficial da “Grajauex”, do Criolo, feito no Power Point. A parada ganhou o mundo (literalmente!) e inúmeras oportunidades apareceram, ele me contou. A qualidade tava garantida. Pouco mais de um ano e alguns treinamentos no After Effects depois, ele me apresenta o clipe de “Devaneios Retianos”, do RET. Desta vez, não precisou nem do efeito Power Point pra fazer eu cair pra trás. Além da arte ser impecável, a escolha das cores e a maneira como cada quadro flui combinam demais com a música e toda essa cadência (…)

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DJ Caique, MV Bill, Shaw e Valete fazem diss a políticos no single da “Coligações Expressivas 3”

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Em meio a dias turbulentos no RAP Brasileiro por causa da cypher pelo impeachment da Dilma, terminamos a semana com um muito mais preparado ataque aos políticos vindo de DJ Caique, MV Bill, Shaw e o português Valete, na faixa “Ladrões”. Assim como o título sugere, o trampo não tem outra função senão partir pra cima com os oito pés no peito dos governantes das nossas cidades, estados e País; pode muito bem ser considerada uma diss a esta classe de “nobres” bandidos (sim, sim, nem todo político é bandido, eu sei, mas cês entenderam…). Embora os quatro chegam com a mesma visão sobre o tema, a mistura é interessante. Não apenas a ponte SP-Rio, mas a própria junção de MV e Shaw dá um (…)

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TRIUNFO: quando a história de um homem se confunde com a de um movimento

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Passei o ano de 2014 inteiro acompanhando o documentário “Triunfo” se encher de prêmios nos festivais pelo Brasil. Só ouvia coisas boas do filme e a expectativa pra assistir só aumentava. Ontem (13), finalmente ficou acessível; o Canal Brasil passou pela primeira vez em sua grade (passará novamente no domingo, dia 19, às 18h). O trampo é tudo aquilo que se fala dele. Uma vasta quantidade de entrevistas com pessoas próximas ao Nelson Triunfo e pessoas respeitadas no cenário nacional, da dança ao RAP (aliás, com uma trilha sonora original arretada do Inquérito e adições de Criolo e Ogi também, entre outros). Boa edição, ótima sacada de colocar o Thaide narrando como locutor de rádio e as pessoas recebendo as informações (…)

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10 coisas que não fazem sentido na cypher pelo impeachment da Dilma

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Desde pequeno, escuto a expressão “opinião é que nem cu, cada um tem a sua”. Eu sei que pode parecer uma expressão pesada demais para uma criança, mas sempre a carreguei comigo e a cada dia vejo mais sabedoria nela. Especialmente por causa de uma outra expressão muito corriqueira no meu crescimento: “futebol, política e religião não se discute”. Se a pessoa que costuma defender a segunda expressão fosse mais adepta à primeira, provavelmente não concordaria com ela. É por não entender que cada um tem sua opinião e que esta merece ser respeitada que a maioria das pessoas propaga que “futebol, política e religião não se discute”. Afinal, tentam impor sua opinião sobre esses assuntos extremamente emocionais a qualquer custo e (…)

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Ronald Rios e Akan desferem sequência de murros na estréia do ex-CQC como rapper

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Anunciada oficialmente aqui mesmo no site, em junho do ano passado, a estréia do Ronald Rios no RAP finalmente aconteceu no último dia 31, com a música “Murro”, que ainda contou com a participação do Akan e a produção musical do Wzy. O título é motivado pela vontade do ex-CQC em agredir seu pai caso ele reapareça. Entretanto, isso acaba sendo um mero detalhe na composição do refrão e da linha final do próprio. “Murro” não tem uma temática única. É, embora singular, uma sequência de golpes rimados que atacam, às vezes alguém em específico, às vezes o mundo, mas atacam; uma sequência de punchlines, se é que vocês me entendem. De qualquer jeito, a relação do Ronald com seu (…)

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“Eu preferiria trabalhar com os diretores do momento, mas eles não fazem muitos filmes com negros”

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Chris Rock é um dos nomes mais respeitados da comédia mundial. Conhecido no Brasil principalmente pela série “Todo mundo odeia o Chris”, que retrata sua adolescência, o comediante tem já uma longa e otimamente recebida carreira no Stand-Up e uma nem tanto como ator e diretor. Convenhamos, poucos negros têm. Entretanto, ele não desiste. No último ano, lançou talvez o seu melhor filme, “Top Five”, que não tem nem título em português, muito menos previsão pra estrear por aqui; ele dirige, escreve e atua no longa. “Eu preferiria trabalhar com Wes Anderson, mas não sou parecido com Owen Wilson. Eu adoraria trabalhar com Alexander Payne e Richard Linklater. Mas, na verdade, eles não fazem muitos filmes com negros. Então, você tem que (…)

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Facção Central homenageia vítimas dos incêndios nas favelas no clipe “Colecionado de lágrimas”

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Mesmo com alguns problemas pra manter o grupo e sem causar o mesmo arregaço do fim dos anos 90, começo dos 2000, o Facção Central ainda desperta o interesse dos fãs e ganhou um certo destaque com o recente lançamento do clipe “Colecionador de lágrimas”. Dirigido por Gera Cappadona e Cascão, do Trilha Sonora do Gueto, o trampo foca no esforço diário de um catador de itens recicláveis, que embora faça um trampo louvável e em auxílio ao meio ambiente, muitas vezes não é reconhecido pela população e até tirado, como no caso do vídeo. Como é comum nas produções do FC, a “opressão” ao trabalhador parte de um personagem que aparenta ser de uma classe social mais alta, ou seja, (…)

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Mendez lança a música “Corre louco”

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Na última quarta-feira (8), Mendez lançou a música “Corre louco”, que contou com a produção musical do Wzy. Como o título destaca, o som trata das atividades do dia a dia do MC, principalmente em relação ao RAP e como isso também afeta no seu lado pessoal. O bang é quentíssimo e tem que correr mesmo! “Corre louco” foi mixada pelo próprio Mendez. Abaixo cê confere a letra da música: Tamo no corre louco sempre na disposição As ruas nos protegem com os irmãos na contenção Vem com fé na vitória Se apega na glória De pé, e agora é a hora tiozão! (2x) Protegido desde 92 eu vim, pois aqui Onde um se esconde, um monte bota a cara (…)

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Mano Brown pagou pelos seus erros (até demais); mas, e os policiais?

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Quando você se envolve mais profundamente com o RAP, acompanhando o dia a dia, você passa a ser mais cético em relação à atitude dos rappers. Você não necessariamente deixa de ser fã, mas você definitivamente não fica os defendendo a torto e a direito. Definitivamente, não. Mesmo quando o nome envolvido é o do Mano Brown, um dos mais respeitados do RAP Brasileiro; só não é fã do Racionais quem tem treta pessoal com os caras. Fui dar uma olhada no que saiu sobre a sua detenção na última segunda (6) e o que me deixou mais espantado é que não se fala nada sobre a necessidade de investigação da ação policial. Noticia-se que ele tentou furar a blitz; que ele (…)

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Karol Conká, Tropkillaz e Kondzilla “tombam” a sociedade em novo clipe

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Vamos combinar, cê já tava esperando por um clipe assim há muito tempo. Mesmo em 2011, com “Gandaia”, Karol Conká já mostrava sua pré-disposição pra “tombar” geral. A música “Tombei” é praticamente um pleonasmo. E não poderia ser um mais forte; “subir pra cima” chega nem nos pés. Além de toda a energia da curitibana, ela ainda se juntou à dupla Tropkillaz, acostumada a tremer o chão pelo mundo todo, e ao diretor KondZilla, acostumado a mostrar todo tipo de agito, principalmente os dançantes do Funk brasileiro. Dança, cor, carros Lowrider, mais cor, sensualidade, mais dança e muuuito mais cor. Tudo que a gente já tá acostumado a ver nos trampos da Karol, e mais um pouco. “Nesta música, eu falo sobre (…)

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A tática de Hitler que ajudou a passar a redução da maioridade penal

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31 de março de 2015, exatos 51 anos depois da marcha que culminaria no Golpe Militar no dia seguinte, o Brasil inicia sua caminhada efetiva para mais um erro histórico. Com 42 votos a favor e 17 contra, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara considerou constitucional o projeto que reduz a maioridade de 18 para 16 anos. Embora a votação tenha sido realizada no último dia 31, ela foi ganha há muito tempo; mais especificamente em abril de 2013, quando o jovem Victor Hugo Deppman (19) foi assassinado  por um adolescente três dias antes deste completar 18 anos. É verdade que as discussões sobre a maioridade penal são bem mais antigas, mas as vimos naquele mês tomar proporções assombrosas, proporções decisivas. Se o debate (…)

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Rashid revela 5 coisas que não sabíamos sobre o CD “Hora de acordar”, que completa 5 anos

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Quando você fala “5 anos”, não parece muito tempo. Ainda mais logo na sequência de você acompanhar as comemorações de 25 anos do Racionais. Mas, quando você para pra pensar e vê quantas coisas passaram, parece que faz um século. Posso confirmar essa impressão, pois fiz esse exercício durante os últimos dias. Quando Rashid anunciou o show em comemoração aos 5 anos do CD “Hora de acordar” e lembrou, na última terça (31), a data exata do lançamento, um filme passou pela minha cabeça. Conheci o trampo do rapper pouco depois do lançamento e lembro até hoje de como eu sentia que os versos falavam comigo. Lembro que em algum momento escrevi aqui no site que ele era o “patinho feio” do trio formado (…)

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