Com a temática “Anos 90”, o Prêmio Multishow 2014 reuniu uma extensa quantidade de artistas na noite da última terça-feira (28), na Arena da Barra, no Rio de Janeiro.

Clássicos da década em questão foram recriados e novos artistas também complementaram com seus hits atuais. Embora a diversidade estivesse em questão, cada estilo musical ocupou um bloco de performances.

Quando chegou a vez do RAP dominar a situação, o roteiro preparado para apresentar as atrações jogou parte da expectativa dos fãs lá embaixo. De acordo com o texto, o RAP teria “bombado mesmo” com “Tô feliz (Matei o presidente)”, do Gabriel o Pensador, em 1992, e que o Racionais teria se destacado depois do rapper carioca.

A subjetividade da expressão “bombado” deixa várias questões em aberto. Possivelmente, a música do Pensador foi a primeira a ganhar destaque nacional em TVs e rádios, até por causa da censura e de sua mãe, que era jornalista. Mas, a cena de São Paulo já era muito forte e o Racionais já vinha fazendo seu nome.

Aliás, os caras já tinham até um CD lançado bem antes de tudo isso. “Holocausto urbano” sai em 90 com sons que são clássicos até hoje; mais até que a música do Gabriel, embora esta também seja uma referência.

Isso sem contar a coletânea “Hip Hop Cultura de Rua”, lançada em 1988, que revelaria Thaide & DJ Hum, MC Jack, entre outros; a coletânea “Consciência Black, Vol 1”, da mesma época; e todo movimento cultural iniciado no “Marco Zero do Hip Hop” e amplificado na Estação São Bento.

Enfim, com gafe ou sem gafe, as apresentações subiriam ao palco e fariam o público sentir saudades de cerimônias passadas. Com um áudio não tão bom quanto era de se esperar, as músicas chegaram aos telespectadores e aos que acompanhavam pela Internet de forma desempolgada.

Assista ao vídeo das apresentações do RAP no Prêmio Multishow 2014.

Embora vestisse uma linda homenagem ao Nordeste com uma camiseta da Maria Bonita e cantasse seu hit “Levanta e anda”, Emicida não chegou nem perto de ser tão marcante quanto no ano passado, no dueto com Caetano Veloso, o grande momento daquele ano.

BNegão bateria na cabeça da geral com sua guitarra e a faixa “(Funk) Até o caroço”, da sua parceria com Os Seletores de Frequência; Gabriel o Pensador e Negra Li talvez tenham sido o ápice da noite do RAP até ali com o dueto incomum em “Cachimbo da paz”, clássico dos 90 e do próprio gênero musical até hoje.

O público, praticamente quieto até então, deve ter uma opinião diferente. Com os gritinhos já tradicionais, Projota encerrou a sessão com a música “Mulher”, antigo sucesso do rapper que estará presente em nova versão no seu novo CD, “Foco, força e fé“.

Mas, apenas a sessão de apresentações acabaria para o RAP. O gênero ainda teria uma pontinha no final da cerimônia, mais especificamente na entrega do troféu na categoria “Melhor show – Superjúri”.

Concorrendo com a “Turnê 25 anos”, o Racionais, obviamente, não estava presente. A relação com a Rede Globo, do qual o Multishow é filiado, ainda não é das melhores, embora Ice Blue e Edi Rock já tenham aparecido por lá. Recentemente, por exemplo, eles foram o único ato a não autorizar a transmissão do show feito no Planeta Atlântida.

Entretanto, o troféu veio mesmo assim, vencendo a “Turnê Atento aos sinais”, do Ney Matogrosso, e a “Turnê Gilbertos Samba”, do Gilberto Gil. Eliane Dias, esposa do Mano Brown e diretora da produtora Boogie Naipe, recebeu a peça.

Assista ao vídeo da entrega do prêmio ao Racionais.

“Agradecer primeiramente a Deus; a meu anjo que é ninja; agradecer a Boogie Naipe que tem uma produção que trabalhou pra caramba pros quatro pretos mais perigosos do Brasil; e agradecer a todos os fãs do Racionais que fizeram um show incrível. Este é pra vocês!”, agradeceu ela na cerimônia.

A confusa premiação terminaria minutos depois. Confusa porque as três apresentadoras (Tata Werneck, Didi Wagner e Ivete Sangalo) e o apresentador Paulo Gustavo não pareciam saber exatamente o que estavam fazendo. Confusa também porque é difícil imaginar um “Júri Especializado” dar o troféu de “Melhor clipe” a “Vida Loka”, do Bonde do Rolê, e não à incrível dobradinha “Duas de Cinco/Cóccix-ência”, do Criolo, que viria a receber o troféu de “Música compartilhada” em nome da colega Juçara Marçal.

E confusa principalmente porque um dos momentos mais vibrantes pros fãs do RAP Brasileiro foi quando a dupla Cidinho & Doca cantou “Rap da Felicidade”, no bloco de Funk.

É, definitivamente, eles ainda odeiam o RAP lá, mano! Mas, e quem se importa com o quê eles pensam?

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