“A guerra não declarada na visão de um favelado” tem nada a ver com o Eduardo e isso foi um pequeno choque. Claro, quando um rapper escreve um livro em que se coloca como personagem principal, você espera que o RAP seja o principal tópico.

Entretanto, esqueci de avisar às minhas expectativas que o Eduardo é muito mais que um rapper; Eduardo sempre usou o RAP como um meio para levar sua mensagem mais longe. O livro é exatamente isso! Eduardo utiliza o respeito conseguido no RAP para levar sua mensagem através do livro.

Pode não haver um dado oficial, uma pesquisa sobre isso, mas garanto pra vocês que a maioria dos que compraram a publicação são fãs do Facção Central.

O rapper, embora não fale sobre o gênero musical diretamente, acaba transformando o livro em uma grande compilação de suas letras ao retratar diversos dos problemas sociais das periferias já citados em seus trabalhos musicais. Eduardo fala com propriedade sobre uma gama enorme de problemáticas periféricas, como a educação, a saúde, o lazer, a violência, as drogas, a prostituição, a religião, e tantos outros.

Se ele não tem os diplomas que muitos dos especialistas dos dias de hoje possuem,como ele ressalta muitas vezes no livro, o fato de ele estar nas ruas, nas periferias, e conhecê-las como poucos, o dá embasamento suficiente para debater tais questões.

O que me chamou a atenção é que em muitos casos, mesmo com toda essa propriedade, ele reproduz e analisa diversos dados “deles”, do próprio sistema. Dados estes que ele sabe são manipulados, mas é como se dissesse: “ok, é nisso que vocês querem acreditar? Então, vou provar que, mesmo assim, a coisa tá horrível”.

O ponto mais interessante do livro é a questão direta da tal guerra que estampa a capa destacada no título. O número de mortes nas periferias brasileiras é assombroso e muito maior que de tantos outros locais em guerras oficiais no mundo; a única diferença é que aqui as coisas foram programadas para acontecerem de uma maneira que “ninguém notasse”.

Pior, as autoridades fizeram tão bem o seu trabalho que ninguém mais sabe o que é bom e o que é ruim. Aqui, o cara que picha uma placa durante um protesto é muito mais criticado do que aquele que mata um jovem “suspeito”! E isso já não é mais nem uma questão de “burguesia x periferia” porque, em alguns casos, nem a própria periferia consegue escapar desse pensamento e acaba se atacando, do mesmo jeito que rappers acabam preferindo atacar outros rappers do que o real problema, como já vimos e revimos.

Por isso, este livro é tão importante. Por isso, o próprio Eduardo escrever este livro é tão importante. Eduardo não conta nenhuma grande novidade; tudo que ele escreveu é amplamente sabido. Entretanto, o registro é que faz a diferença. Melhor, a forma como é registrado.

Primeiro que, se boa parte das informações já estavam em seus RAPs, a facilidade de assimilar a linguagem direta do livro e a desconexão das informações com a música são fundamentais. Muitas pessoas não ouvem RAP porque eles acreditam que música é para divertir, dançar, etc., o que não se enquadra nos sons do Facção Central. Entretanto, ler um livro com tais informações já se torna muito mais fácil.

Segundo, não é um filósofo que do alto da sua cobertura enxergou tais problemas e escreveu, mas sim um filho da quebrada; um pé-no-barro como todos os outros ali. Assim, a informação é passada de maneira muito mais assimilável pra aqueles que devem ler esse livro.

Porque o livro não foi escrito pras autoridades ou pros burgueses lerem e se solidarizarem com a situação. Não, Eduardo não gastaria papel e tempo com tamanha impossibilidade. O livro é escrito de um favelado pra favela e regiões adjacentes. O livro é uma tentativa de tornar ou manter sã a mente de vários que o sistema corrompeu ou tenta corromper.

É como se o Eduardo estivesse na linha de frente e alertasse seus companheiros mais afastados para os perigos à frente. Não novos perigos, pois estes são conhecidos há séculos, mas ataques cada vez mais poderosos. Uma guerra que de tão disfarçada torna-se cada vez mais perigosa; uma guerra que só oferece uma maneira de se proteger: blindar… a mente.

Não perca mais nenhum post!

23 Comments

  1. Eu achei bao essa sua resenha eu escuto rap desde os 10 anos de idade e facção foi o primeiro grupo sempre vi o rap uma forma de expressar a realidade os sentimento e dar mais orgulho a um povo que já sofreu tanto e vive sofrendo até hoje que é o nosso povo acho q o Eduardo é gênio e um grande lider nessa revolução , o Rap mudou minha vida e fez eu ver o mundo como realmente ele é .

    • Da hora, Lucas, gratidão pelo comentário. Como eu disse no texto, o livro vem pra reforçar essa ideia de mudança que o Facção prega nas músicas e ajuda a levá-la pra muita gente que não consegue enxergar na música o que a gente enxerga: a realidade.

    • Hoje eu vo o livro pela primeira vez e fiquei curioso com o título
      Pesquisei na internet, lir um pouco sobre o asassunto fiquei muito interessado, vou procura o livro pra comprar

  2. ouço rap a pouco tempos, boa resenha, muitas pessoas com pensamento franco também deveria ouvi facção central,a realidade que todos nos vemos ou deveríamos ver e tentar mudar! achei bem legal o livro dele e vou comprar.

  3. Em primeiro lugar, Guilherme… bela resenha!!
    Bom, na minha opinião, o Eduardo é o único “artista” brasileiro que se preocupa de verdade com o povo da periferia. Tenho 25 anos e acompanho o facção desde criança. Comprei este livro, paguei, com o frete e tudo, 50 reais. Já estou enxergando tudo com outros olhos. e, digo mais, foi o “investimento” mais bem feito da minha vida, pois deste livro, com certesa, terei um ensinamento que não aprenderei em escola alguma!!!

    • Satisfação pelo salve, Weslem, gratidão mesmo! Bem nessa, o livro tem essa pegada de abrir os olhos mesmo e reforçar várias ideias verdadeiras. Mas aí, não é só o Eduardo que faz esse trampo não, tem vários caras num corre parecido, a diferença é só o modo das coisas serem ditas.

      • Diversos grupos fazem isso!!!
        Mas alguns se venderão a elite…
        Esse tipo de ideologia é mostrar a quem não tem conhecimento nenhum que impostos caros e salários baixos,onde bandido de verdade mesmo não são aqueles que seguram uma arma e sim uma caneta .
        Mas hoje mesmo assim sigo ouvindo rap,palestras, bom grupos com snj,facção, realidade cruel, onde o foco deles são mostrar o que ninguém vê o finado sabotagem .
        E mostrar ao sistema como diz o dexter e todos brasileiros que tem um conhecimento da causa.
        Não quero( nada) só quero o que é meu.

        • me chamo edson moro em joao pessoa pb comecei a aprender a essencia do rap a comecr escutar os racionais em seguida o faccao foi um periodo transformador ampliei meus conhecimentos atraves da ideologia do eduardo o homem e um mostro do rap nacional diferenciado na forma de se expressar muita masculinidade isso ajuda muito no que ta do outro lado o que mas admiro e ouvir ele relatar q nao cola aonde ele enxerga q nao e licito pra favela pro seu corre – gracas a trudo que aprendi tambem to escrevendo rap tambem mudei minha postura um dos meus objetivos e um dia conhece lo pessoalmente

      • Primeira mente satisfaçao nas palavra ai Guilherme junkes.
        E eu vo relata aqui sobre o livro eo
        Trabalho do eduardo taddeo

        O livro eu nao conheço muito .

        Sobre o trabalho do eduardo fas dois anos que venho aconpanhado
        E fas dois anos que minha mente mudou e vem mudando. Porisso que vou pedi pra Deus que o trabalho dele se espalhe e se m
        espalhe

  4. Muito bom cara, tenho 15 anos e ouço rap a pouco tempo, Facção Central um dos grupos que eu mais gosto, apesar de conhecer poucas musicas, porque ele mostra como é foda a vida na periferia, n sou da periferia nem da burguesia, mas eu tenho uma vida agradavel, só que eu não dava valor a isso, Facção me mostrou que eu poderia está na total merda, e que eu não tenho nada do que reclamar, além de abrir meus olhos pra realidade do Brasil.
    Ficou muito boa sua resenha, o livro parece bem interessante, sabe onde posso encontrar?

  5. Eu mesmo tenho o livro do Eduardo e o livro é muito responsa, o Eduardo é muito responsa, ele coloca no livro que ele que nasceu e vive na quebrada tem muito mais autonomia pra falar sobre sociedade do que um sociologo playboy que se formo atraves de livros e computadores, eu concordo totalmente com isso, sociologo diz o que ta escrito em estatisticas e estudos, o Eduardo nao chega e estuda depois da chacina, ele ta no campo de concentraçao antes, durante e depois da chacina.

  6. satisfaçao edu de ta compartilhando de tal sabedoria para toda a favela e a todos os desenformados q nao enxerga a realidade periferica e fica com blasfemias contra seu trabalho

  7. Eduardo ! E um dos mas narrador e esclarecedor da situação brasileira.
    Muitas pessoas! não querem ouvir descaso social, fatos injustiçado pelas vitimas do sistema sádico.
    poes ele passa esse mensagem a flor da pele
    Ele ta por nós não contra nós..

  8. aonde eu compro o livro por favor,conheci faccao atraves do meu pai quanto era muito crianca nao tinha nocao de uns tempo pra ca escuto muito rap e faccao e um deles as musica sao muita foda infelismente e uma triste realidade do nosso pais …

    parabens vc arrebenta cara de verdade

  9. Excelente resenha cara, eu acompanho os sons do eduardo desde de 1998, na época do facção central, e a pouco tempo ele segue carreira solo. No meio do rap nacional o eduardo é o linha de frente com pensamentos diretamente voltado ao menos favorecido da sociedade. Sobre o livro 1 ainda não terminei de ler, mas o que eu já li,já foi de muita importância.Os fatos relatados faz o leitor ter repugnância ao sistema imposto no nosso Brasil.

  10. Esse livro se encontra em PDF? Quero ler o livro e fazer meu TCC (trabalho conclusão de curso) baseado nesse livro e ou melhor na historia que o Eduardo tranmite, cafa muito fera, mais to liso pra poder comprar o livre se alguem tiver em PDF e puder da uma força. abç

  11. SOBRE OLIRVRO AINDA NAO TIVE ACESSO MAS TENHO PLENA CONVICCAO QUE O CONTEUDO E DE SUMA IMPORTACIA PARA TODO AQUELES QUE FAZEM P0ARTE DE UM SISTEMA CORRUPTO CRIMINOSO ALIENADOR SALVE DEUARDO.

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