Na última terça-feira (24), Shawlin publicou uma nota em seu Facebook sobre uma temática já antiga no RAP Brasileiro: a valorização monetária do trabalho do artista.

Afirmando ter tido que arranjar um outro emprego, pois o RAP não lhe dava dinheiro suficiente para “levar uma vida digna”, o rapper criticou aqueles que acreditam que a música não pode ser também lucrativa para o artista, visto que ele faz por amor.

“Tenho visto freqüentemente (por uma interpretação errônea do que a MINHA geração pregava) se difundir a política do pé rapado, como se fazer RAP não fosse profissão, como se não se devesse viver de música, como se eventos de RAP não devessem evoluir, como se fazer por amor fosse fazer voto de pobreza, e assim criam-se eventos feitos para não acrescentar na cena, feitos para não dar dinheiro e não pagar ninguém”, comentou antes de criticar o destino da venda de produtos como cerveja nas batalhas de rima, por exemplo, que deveriam ser destinados a uma evolução do próprio evento.

Shaw ainda foi mais direto e mais fundo ao contar o caso de um contratante de Belo Horizonte que quis lhe passar informações errôneas sobre o local da apresentação apenas para lucrar mais.

“Não só envergonham Belo Horizonte trabalhando com patamares de cidades de interior como mostram a má fé (confundida com malandragem) de pessoas que cobram amor do artista mas fazem por dinheiro (e nada errado em querer viver do próprio labor) o erro está em tentar me alijar de também suprir minhas necessidades financeiras!”, completou.

O rapper aproveitou também para criticar alguns supostos fãs de RAP e dele próprio que pedem a apresentação na cidade, mas quando  ela acontece não a atendem. Por fim, ele entrou num debate bastante específico dessa valorização monetária: o que reclamam nos eventos de RAP, não reclamam em nenhum outro local.

“Todo mundo reclama do valor dos ingressos, fala mal na internet, mas nunca reclamaram com a AmBev o preço das cervejas nas boates nem pechincharam o preço do BigMac no McDonnald’s”, reforçou ele o coro de vários outros artistas brasileiros que colocam nessa lista os eventos gringos com ingressos bem mais caros que são comprados sem reclamação.

Aqui parece válido lembrar que a valorização monetária do artista não é apenas importante para ele, mas também para os próprios fãs, pois estes receberão muito mais qualidade nas produções caso o artista possa se dedicar em tempo integral a sua arte.

Leia a nota na íntegra.

Shawlin não fez uma simples reclamação, nem talvez um desabafo; foi um pedido, um pedido por mudança.

“Estou pedindo para mudarmos a mentalidade de todos que se acham no direito de tratar a cultura HIPHOP como uma ONG ou um braço do sistema público. estou pedindo pra que valorizem as organizações competentes que pagam os artistas e fornecem pra vcs, de forma profissional, uma noite de lazer, trazendo cada vez mais artistas e integrando um circuito”, propôs.

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