O cenário atual do RAP Brasileiro não tem nada a ver com ser novo ou antigo, tem a ver com ter qualidade.

20 de anos de carreira não é fácil. Ainda mais no meio musical que um dia você tá no alto e no outro pode estar no chão. Aos 40 anos de idade, Japão prepara-se para apresentar o cd “20 de 40“, celebrando seus 20 anos de carreira no RAP.

O cd contará com produção musical de DJ Raffa Santoro, além de produções visuais do cinegrafista Leandro G. Moura, que deve lançar um teaser do projeto em breve.

Em “20 de 40“, Japão transforma em música o significado literal do título. O rapper conta um pouco da sua vida, da sua caminhada e também da sua carreira.

Em meio ao que parecem ser experiências próprias e gerais, Japão fala de um dia a dia simples na quebrada, principalmente de Ceilândia, no Distrito Federal, onde cresceu.

Além da qualidade no conteúdo apresentado, a música também conta com as participações de Alex Jordan (Vocal) músico e regente do Dreams Coral, Jefferson Nunes (baixo) e Ricardo Bap (guitarra).

Abaixo cê confere a letra da música:

Letra: (Fonte: Japão Viela)

Eu vi de tudo, falei tudo e não pensei na vida
Falei demais por ser real e discordar, né firma?
Surgiu o novo flash back, tudo tem mistério
Pouco reflexo na favela, o final sem mérito
Cresci moleque ligeiro, sem trampo e vadiagem
Cidade livre na cabeça, embarca as viagens
Mas me virei com tudo isso, apurando extinto
Sonhei com o cano lá no forro e não manchei o livro
Foi caminhando que trilhei o meu percurso, cara
Sem ativar minha ganância para grana alta
Vi muitos loucos, rato cinza, muitas falsidades
Permaneci no ponto alto CEI em detalhes
Puteiro aberto, fumaceiro, cheiro da loló
Desgraça é pouca pra quem vive no lança ou no pó
Alguns momentos esquecidos, louvado em milagre
Filho de Deus e sem caô, tem que ralar, cumpadi

Ceilândia na cena, viela, expansão
Onde fiz a minha história, meu irmão
Se liga, irmão, só os fortes sobreviverão
As luzes da cidade escura não ofuscam o meu brilho, não
Firmão vou viver, firmão vou viver
E que é forte, basta crer

A cada ano, a cada dia, mais leões sem grades
A cada aperto, a revolta e o seu pai? Quem sabe…
A mãe guerreira, pouca infância, muito rala trava
Muitos irmãos e um barraco, aqui o chicote estrala
Pulverizaram a esperança em cada esquina farda
Muitos soldados pouca idade, a pivetada emplaca
Se o veneno destilado neste copo mata
Faço minha parte, sem ligar pro tal destino, a vala
Só pilatragem, pouca liga, pouco papo reto
Firma, faço tudo pra viver defendendo meu teto
Mesmo no esgoto, muitas provas, sobrevivem o fortes
Ser um canalha ou sujeito, Japão, olha o bote
Longe da pedra, dos sem sono, eu vou
Madrugada, horror, vê se respeita, malandro, morô?
Mas to ligado, quem vacila escapa
Quem é folgado chapa e a tristeza levando à desgraça

Ceilândia na cena, viela, expansão
Onde fiz a minha história, meu irmão
Se liga, irmão, só os fortes sobreviverão
As luzes da cidade escura não ofuscam o meu brilho, não
Firmão vou viver, firmão vou viver
E que é forte, basta crer

Um ciclo interminável, violência sem sentido
Tudo começa no tal boteco, termina no abismo
Hoje tem guerra, tênis novo manchado de sangue
Wiskie falso, fuleiragem, esquina bang bang
Quadra sinistra, som de funk, shortinho, doninha
Escola é ponto pro olheiro que vende farinha
Cadê o sentido disso tudo, me perdi na causa
Cadê o tal do prometido ai fulano fala?
Não sei de nada, o silêncio é a lei das ruas
Falo o que vejo e não cagueto o quanto fatura
Cordão de ouro o relato de quem tem mistério
Carro filmado é o bonde, Ceilândia em progresso
O som no fim da rua é a cara, tá tudo a milhão
Quem é careta tá de bode, descansa, irmão
A rua é suja pra quem tá de fora, acorda, bora
Quem não é cria, pode crer, na Ceilândia não cola

Ceilândia na cena, viela, expansão
Onde fiz a minha história, meu irmão
Se liga, irmão, só os fortes sobreviverão
As luzes da cidade escura não ofuscam o meu brilho, não
Firmão vou viver, firmão vou viver
E que é forte, basta crer

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