O “Quilombo Rio dos Macacos” é habitado por famílias descendentes de escravos que vivem há mais de um século no local e estão sendo aterrorizados por sub-oficiais da Marinha que moram na Vila Militar vizinha. Depois do documentário sobre o quilombo, rappers baianos se juntaram para gravar a música “A Força dos Gorilas“, dedicada aos moradores da região.

Entre os moradores há pessoas com mais de 100 anos que nasceram no mesmo local onde vivem até hoje. O acesso à comunidade é controlado pelo portão de entrada da Vila Militar, um condomínio de residências de sub-oficiais da Marinha; e os conflitos vêm, sobretudo, com a construção desta Vila, a partir de 1971. As famílias da área foram removidas e desalojadas. Hoje estão proibidas de plantar e sendo expulsas da área.

Além da massiva divulgação do documentário pela comunidade rapper nas mídias sociais, o rapper Emicida também citou o quilombo na sua nova “Dedo na Ferida”, em protesto a ocupações policiais.

Dedicada às famílias que moram na área e a todos que lutam pela permanência das mesmas no seu local de direito, os rappers baianos Victor Haggar, Flip e Binho (Suspeito 1,2), Big e Morris gravaram a música “A Força dos Gorilas”. Produzida e mixada por Victor Haggar, com trechos de falas extraídos do documentário acima e arte de divulgação por Bruno Aziz Lima, o RAP criado reforça a voz dos injustiçados na luta pela permanência no local.

Não só pela sua importância, mas a música em si é muito boa. A letra e a base são fortes contando toda uma história de luta que deve ser imortalizada e respeitada. O que está acontecendo no “Quilombo Rio dos Macacos” não vai só contra as famílias que ali moram e contra os Direitos Humanos, mas também contra a preservação de uma parte da história do Brasil!

Abaixo cês conferem a letra da música:

Letra: (Deixem comentários com as correções!)

A maldição das mil vozes lançada em instrumentais
Tambores, atabaques, no canto dos ancestrais
Se impor, revindicar, feras tipo enxame
Arrancar do solo fronteiras e cercas com arame
Longe das câmeras, fuzis apontam, matam
As grandes emissoras se omitem, abafam
Convoco ao confronto, tá pronto nosso ultimato
Avisem aos coronéis: cês mexeram com o povo errado!
São comensais da morte armados, cheios de ódio
Da cúpula maldita e medalhas no pódio
As máscaras escondem a face que é predatória
Da tortura estratégia e marcas da palmatória
Com minha oratória, eu deixo claro (fodam-se!)
A vingança massiva será imortal (movam-se!)
Pegada king-kong, meu bando encara tanque
Avante, sem recuar, o quilombo tá em meu sangue

A lágrima rola no canto dos olhos agora
A sede por mudança em seu peito preto aflora
Se calarem nossa voz, irmão, as pedras falarão
Se há pedras no caminho, as vozes nunca calarão
Um milhão de almas numa mesma oração
Dois milhões de pernas numa mesma direção
Militância, o povo unido faz acontecer
Cercado por mil homens. Opressão, não pode se mover
Como é que eu vou esquecer, não vou tirar da memória
O lugar onde nasci, colhi tristezas e glórias
Quem tá vivendo sabe como dói
O seu passado apagado pela mão do algoz
Eis aqui o hino da libertação
Fecha o punho e bate forte na cara da opressão
100 anos se passaram, preconceito que exala
Pra mim é só replay, casa grande, senzala.

Ainda há quem só quer paz, na terra do seus pais
E avós. Crianças se misturando aos bananais
Tranquilidade ao apagar a luz
Um homem bom, de farda, metralhadora e capuz
Não tem artigo, nem constituição, decreto
Não é de hoje que pobre vira dejeto
Sargeta lotada, gente da nossa gente
Resort particular pra verão de presidente
É um buraco sem fundo, pro sociólogo um abismo
Mas chegamo longe sem aula de alpinismo
Resistência a tudo, a todos e ao tempo
Do fogo à luz, do barro ao cimento
Antigamente, escravidão. Hoje em dia, racismo
Pobreza, rejeição, de preço à repressão
Herói branco da pátria matou um milhão de índios
Roubou sua terra e tu que é o ladrão? Não!

Não se arrancam Quilombolas do seu solo
Meu povo sofre abandono com uma criança sem colo
Fardas que levam medo ao sangue do meu sangue
Jaulas forjadas por homem não prendem king-kongs
Somos a massa da raça de Zumbi
Quilombo dos Macacos, alma dos Tupiniquim
Sem frenesi, à mercê de uma pátria fajuta
Não calarão nossa voz. Fodam-se, filhos da puta
Meu povo luta por terras ancestrais
Onde os direitos humanos não são iguais, desleais
Promovem causas desarmados e formação extinta
Ao ser humano exilado, não somos lixos pra ser tratados como bicho
Hoje cês saberão o preço disso, rapaz
Se um macaco incomoda muita gente, um rio de macacos incomoda muito mais

Hoje cresce em meu peito um instinto de revolta
O juiz pra mim é Deus, escute minha proposta
Não quero pegar em arma, meu estilo é pacífico
Sistema que pediu, rajada de ataque lírico
Vêm como sanguessugas, corrompem meus ideiais
Na minha terra tem palmeiras onde cantam os sabiás
Eles querem derrubar, eles querem desmatar
Eles querem enterrar, eles querem dominar
Esmagar minha cultura, destruir minhas origens
Quilombo Rio dos Macacos, parceiro Zumbi vive
O RAP não vai se calar, os pretos não vão aceitar
Vocês não vão arrancas as raízes
Iorubá, eu vou reinvindicar
Irmão, vou protestar
A melanina em meu sangue ferve, tenho que lutar

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