CD Estalactite, do De Leve

Embora De Leve esteja oficialmente lançando uma música nova do CD “Estalactite” a cada sábado, o trampo inteiro já tá oficialmente disponível nos sites de streaming pela Internet.

O disco é a volta do rapper após alguns anos sem lançamento, principalmente por causa de cuidados especiais destinados a seu filho, diagnosticado com autismo. Sua vida virou de ponta cabeça e isso é o que molda todo esse retorno.

Já começa com o nome e com a capa com um morcego. Na própria música “Estalactite“, De Leve faz um resumão do momento que vive e de como as coisas aconteceram. Mesmo assim, o clima irreverente não poderia faltar, afinal, a “lenda” estaria de volta ao microfone.

Outra já disponibilizada, “Estereonatário“, assim como seu nome sugere (Estéreo + estelionatário), tem a ideia de apontar os enganadores no RAP, aqueles MCs que se pagam de bambas, mas ainda tão engatinhando na parada e têm muita coisa a aprender. Pra quem ficou um tempo “de fora”, ele até que tava prestando bastante a atenção, né não? Chegou com os dois pés na porta e sem risadinha… tá, com algumas risadinhas, claro.

Melô da amônia” tira uma onda sobre a dificuldade em achar uns recreativos de qualidade; sem grana pra pegar do bom, a saída é colar naqueles com amônia mesmo, fala tu. Em “Jogo a vera”, o carioca faz jus à raiz e convida o parceiro Reza Forte pra meter uma ginga de Samba no bagulho. Além da ideia do jogo, toda a musicalidade chama a atenção; não fica apenas na rima em cima de um instrumental de Samba ou ao contrário, tem uma boa diversidade mesmo.

E se falamos em variados tipos musicais, na seguinte De Leve chega com um tipo Funk bem insano. “Viemos pegar muié” é um absurdo de zoação, do nome da música, passando pela letra até a voz usada. Não tem muito esquema. O rapper interpreta o cara que tá na parada apenas pra descolar uma. Ou melhor, umas. Mas, não a Anitta porque “não faz o meu estilo” e nem as burguesinhas “porque são muito frescas”, então ele deixa pro Seu Jorge. Abusado!

O CD termina com “Amônia Dub“, uma versão da Melô da amônia”. Por fim, neste recomeço da caminhada do De Leve, fico com a impressão de um amadurecimento óbvio e necessário, não só pelos anos que passaram, mas pelos obstáculos transpostos. É impossível passar pelo que o rapper passou e chegar no microfone como era antes.

Não só impossível, como desnecessário. O amadurecimento deu a ele “Estalactite”, que é a possibilidade de falar sério mesmo sendo irreverente; de tirar uma onda da sua própria vida, mesmo ela com alguns problemas. Essa dualidade com que as músicas e o próprio disco se apresentam acaba deixando todos nós de ponta cabeça juntos.

Foi um EP sólido e importante pra “tirar a poeira do microfone”. Quem é fã do RAP Brasileiro com certeza vai achar seis faixas muito pouco pra o que vinha sendo trabalhado. Vai querer conhecer um pouco mais desse “novo” De Leve. Ótimo, porque do jeito que parece, a gente viu muito pouco do que ele ainda tem pra oferecer!

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