Neste começo de março, o mundo ficou de olho na mistura de música, filmes e ações interativas criada pelo South by Southwest (SXSW), nos Estados Unidos.

O festival, que vai do dia 7 ao 16, contou não só com shows de Lady Gaga, Coldplay, Nas e Kendrick Lamar, mas também com a participação do “revolucionário moderno” Edward Snowden via Google Hangouts, entre outras coisas.

Pros nossos lados, pudemos acompanhar as participações de Emicida, Rashid e DJ Nyack, que, sem dúvida alguma, espalharam com muita força um pouquinho do RAP Brasileiro pelo país.

Embora não estivemos presencialmente no evento, fomos inspirados pela MTV Brasil a “transmitir” nosso acompanhamento via redes sociais.

E as novidades já começaram cedo. Rashid, que estava especialmente animado com a viagem, pois era sua estréia na gringa, publicou uma foto da conexão que fizeram de Atlanta para Austin.

Depois da chegada ao destino e das providências pra acomodação e planejamento pro dia seguinte serem definidos, nada melhor que recuperar as forças de verdade com um rango firmeza.

Enquanto a “turma do Emicida” resolveu utilizar todos os dotes culinários do irmão e produtor Evandro Fióti, Rashid apelou para o bom e velho dogão (ou doguinho, de acordo com a imagem).

Energias recarregadas, partiu pra rua. Lembra que “cê sai do gueto, mas o gueto não sai de você”? Pois é, se alguém duvidava da veracidade do verso do Marcelo D2, o Emicida fez questão de comprovar.

Terça-feira pode até ser “ruim de rolê”, mas pro SXSW e, provavelmente, pro Muricy Ramalho também, “é dia de trabalho, meu filho”.

Os três (Emicida, Rashid e DJ Nyack) iniciaram a participação no festival na casa Red 7, com os shows do Emicida e Rashid praticamente em sequência; entre eles, no entanto, uma pausa pra acompanhar um Porto-riquenho que tem se destacado no estilo, Álvaro Diaz.

Agora, não tem mais volta, senhor Rashid, você já estreou fora do Brasil. “To felizão com a resposta do publico… seguimos quebrando as barreiras!”, escreveu ele no Facebook.

Pro Emicida, que já deu algumas voltas por aí, a cota foi terminar a noite com umas fotos com fãs, neste caso, Brasileiros locais que colaram.

Tudo bem, tudo bem, cês podem ir dormir, dar uma descansada, mas sem relaxar muito que o dia seguinte vem ainda mais pesado.

Se não bastasse o fato de serem dois shows pra cada um, ou quatro shows no caso do gripado DJ Nyack, o Emicida ainda lançaria uma música nova, “Obrigado, Darcy (O Brasil que vai além)“.

Por isso, o batente já começou cedo. Depois de acompanhar os goianos do Boogarins, Rashid e Emicida completaram o sentido do “Brasil” no nome da casa.

Vale ressaltar que se não há fotos do Emicida ainda desse segundo show, provavelmente deve-se ao fato de que suas redes sociais estavam voltadas para a divulgação da nova música recém-lançada.

Aliás, o som, que conta também com a voz do Rael e é uma homenagem ao antropólogo Darcy Ribeiro e ao Brasil, foi feito exatamente para o momento em questão; o “Casa Brasil” não foi à toa.

Mais tarde, eles estariam novamente no mesmo palco para o último show durante o festival. Entretanto, sob uma gerência diferente, o local passaria de Casa Brasil para Icenhauer’s.

Mas, antes, por que não conferir o reggae potente do Meta and the Cornerstones, que para o Fióti é “a melhor coisa de reggae que ouvi nos últimos anos”; ano passado, Emicida dividiu o palco com eles no Brooklyn Bowl, em Nova York.

Assim como no show da tarde, não tivemos muita cobertura durante a apresentação. Entretanto, procurando um pouco melhor, achamos uma fã Brasileira que estava no local e publicou vários vídeos; já a produtora e mulher do Rashid ajudou com uma informação valiosa.

No dia seguinte, o rapper que “confunde os sábios” recordaria do show em uma publicação no Facebook: “Tempo frio, Rap mil grau! E o mais loko é ver os gringos falando que não entenderam uma palavra mas sentiram a música e piraram no flow! Mostra que fizemos nosso trabalho bem feito.”

Embora as participações dos nossos MCs e DJ no festival tenham sido ótimas, o segundo dia de show deles, já na madrugada de quinta-feira (13), terminou em tragédia.

De acordo com a imprensa internacional, dois foram mortos e dezenas ficaram feridas depois que um carro quebrou as barreiras do evento e foi em direção aos pedestres; o motorista estava embrigado e fugindo da polícia que tentou pará-lo alguns minutos antes quando o avistou dirigindo na contra-mão.

Por algumas horas, uma certa preocupação tomou conta do público Brasileiro pela proximidade com os artistas. Quando confirmado que estes estavam bem, só restou a tristeza pelas famílias que viram seus entes queridos saírem para uma noite divertida para nunca mais voltar pra casa.

Infelizmente, não é muito diferente do que vemos por aqui nos mais variados eventos, mas principalmente em partidas de futebol, nossa grande paixão nacional. O objetivo é sempre seguir em frente.

Claro que seguiremos. O evento, mesmo com alguns shows cancelados, como do Tyler the Creator, também seguirá; nossos artistas, mesmo sem mais apresentações próprias, seguirão por lá.

Seguiremos até sem deixar que a imensurável tragédia ocupe o espaço da importância e alegrias que o evento trouxe; acostumados. Pois é, as frias estatísticas fazem vítimas até em um evento cultural e pra gente só resta lamentar e torcer pra que não sejamos os próximos.

Não perca mais nenhum post!

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