Nos Estados Unidos, Vonte Skinner, acusado de tentativa de homicídio, foi condenado a 30 anos de prisão; letras de RAP escritas por ele foram aceitas pelo juiz como provas criminais.

Sem a arma do suposto crime ter sido encontrada e com depoimentos vacilantes das testemunhas, as letras parecem ter tido peso na condenação.

Este não é o primeiro caso em que letras de RAP foram usadas como provas; a  União Americana pelas Liberdades Civis registrou 17 outros no país todo.

“O rap é o único gênero musical que é alvo das cortes dos EUA. Há um problema claro de dois pesos, duas medidas’: se os tribunais não consideram que outras formas de expressão artística podem ser usadas como prova de crime, por que o rap pode?”, questionou Erik Nelson, professor de artes da Universidade de Richmond, em entrevista à Folha.

De acordo com Paul Butler, professor de direito da Universidade de Georgetown, a resposta para o questionamento vai além do gênero musical. “Apesar de outros estilos também incluírem letras sobre crimes, os artistas de rap são alvos mais fáceis por serem jovens negros e latinos”, afirma.

O grande erro, que vemos não só nos Estados Unidos, mas também no RAP Brasileiro, é a visão de que o personagem descrito na música seja o rapper que a cante. Embora as letras de RAP sejam popularmente conhecidas por conterem a realidade, é preciso perceber a diferença entre o que o rapper fez e o que ele viu, ouviu ou imaginou; como qualquer outra arte, é preciso dar liberdade ao rapper para criar.

Do contrário, haverá um policiamento enorme e os rappers terão que medir cada palavra usada, o que limitará sua arte; a censura não é caminho certo em caso algum.

“É uma pena, porque vem do rap hoje uma das melhores análises sobre o sistema de Justiça americano e a sociedade”, lamenta Paul Butler.

Em 2012, os advogados de Vonte Skinner entraram com um recurso questionando o uso das letras de RAP e ganharam; o Estado de Nova Jersey apelou e o futuro do jovem deve ser decidido nos próximos dias.

Vi na Folha de S. Paulo.

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