Na última segunda-feira (20), Dumatu voltou a acusar a violência da PM do Mato Grosso do Sul e apresentou um depoimento em vídeo com detalhes do ocorrido no último dia 26.

Como havíamos informado no último dia 31, o rapper recusou parar para averiguação policial por estar com o carona sem capacete e acabou sendo perseguido.

Diferente do informado previamente, não houve queda durante a perseguição; Dumatu teria, na verdade, parado após 20 minutos para que o jovem que o acompanhava descesse. Ele afirma ainda que os perseguidores teriam disparado duas vezes em sua direção.

O rapper teria escapado e voltado para casa. Ao sair para tentar encontrar seu colega, que, por telefone, havia dito que estava perdido, foi capturado pela polícia e levado para um terreno afastado; não antes de, supostamente, ter sido espancado e atirado para dentro da viatura.

A ideia de que Dumatu teria sido confundido com algum criminoso mais perigoso e, por isso, despertado a ação reforçada da polícia, parece ter sido descartada; ele afirma que os policiais sabiam quem ele era.

“Você que é o Dumatu que foi tocar com o Facção lá em São Paulo? Você é bandido!”, conta o rapper interpretando a fala dos policiais; ele ainda relembrou outras falas que seguiram no mesmo sentido, com os membros da Rotam (Ronda Tático Motorizada) afirmando que RAP é coisa de bandido.

Dumatu assume seu erro em ter fugido e até em ter chamado os policiais de “vagabundos” quando se referiu a eles pelo celular em contato com seu colega. Entretanto, não existe precedente algum que justifique o depoimento que ele dá em seguida, detalhando a tortura sofrida no terreno afastado:

Nesse matagal, quando eles mandaram eu tirar a roupa, eu desci da viatura, tirei a roupa e eles pegaram uma enxada; eles colocaram minhas pernas por cima da enxada e as duas mãos eles mandaram eu passar por dentro aqui ó [o rapper revive a cena explicando a posição] e eles amarraram, nessa posição aqui que eles me amarraram; nessa posição. Dezesseis policiais contra um civil desarmado. Eles me amarraram. Os policiais seguraram de um lado da enxada, do cabo, e outros policiais seguraram do outro; eles me viraram de cabeça pra baixo… pelado. Eles me davam socos, pontapés, com o cassetete eles batiam no meu pé, na minha canela e na minha cabeça. […] Das onze horas da noite até as quatro da manhã, eles me torturaram. Me bateram por mais de quatro, cinco horas; eu não tinha relógio para contar as horas [o relógio, retirado pelos policiais, ainda não foi encontrado pelo rapper]. Eles amarram um saco preto no meu rosto e eles trouxeram galões de água; cerca de cinco litros cada galão, vários galões. Eles me viraram de cabeça pra baixo amarrado; amarram um saco preto e cada policial militar segurou de um lado em um colchão com mola de ferro solta, que tinha no lugar porque o lugar é propício pra tortura. Eles despejaram litros e mais litros de água na minha boca e no meu nariz. Eles seguraram minha boca e derramaram no meu nariz. […] Eles pegaram uma garrafa cheia de pimenta e eles encheram minha boca de pimenta e meu nariz de pimenta. Eles me davam porrada toda hora no meu abdômen, na minha barriga. Eu vomitei mais de quatro vezes; eu desmaiei várias vezes. Eu pensei que ia morrer.

Visivelmente alterado emocionalmente por reviver os momentos de desespero, Dumatu ainda relatou que, no dia seguinte, foi acusado de ser traficante e afirmou que os policiais forjaram as evidências.

Preso por mais de uma semana, o rapper foi solto porque um defensor público, mesmo na época de recesso, compadeceu-se da sua causa e pediu a revogação da prisão preventiva; por não existir requisitos legais para ele estar preso, o juiz o liberou.

“Eu não sou traficante, eu vou provar que eu não sou traficante. E eu vou provar que eles mexeram com o cara errado; que eu fui torturado”, finalizou ele.

http://www.youtube.com/watch?v=lYcme0k5v4A

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