Capa do CD Batuk Freak, da Karol Conká

O RAP Brasileiro tem sido palco de um fenômeno bastante interessante: artistas fazendo seu nome e levando sua mensagem nacionalmente antes mesmo de lançarem um CD. Karol Conká foi um desses casos. A expectativa criada para o lançamento de sua primeira compilação de inéditas era muito grande.

Havia motivo pra isso: ainda em 2011, sua música “Boa noite” rodou o país e foi tocada em diversas festas de Hip Hop. Após ela, vieram “Gandaia” e “Corre, Corre Erê“, estas duas muito mais voltadas pra diversão e com letras menos “politizadas”. Por mais que a expectativa era grande pro lançamento, não se sabia exatamente o que esperar.

Bom, depois de saber que o nome seria “Batuk Freak” e teria toda produção do Nave, posso dizer que a expectativa aumentou. Se o nome do trabalho é algo como “batuque insano”, então que tenha um dos melhores produtores brasileiros na parada.

Ao mesmo tempo, a notícia me deu um pouco de receio: apenas um produtor pode dar ao CD uma homogeneidade muito grande, de termos apenas um estilo de batida e as músicas parecerem “mais do mesmo”. Mas, como eu disse, “um dos melhores produtores brasileiros na parada”…

Não teve nada de “mais do mesmo”! O nome do CD fez jus: os “batuks” chegaram insanos e sempre pesados. À Conká coube o trabalho de receber a pedrada e devolver pra gente em seus versos. Vieram e vieram das mais variadas maneiras.

Eu achei que dificilmente ela conseguiria produzir algo tão “RAP da Conká” como “Boa noite“, algo com o estilão lírico somado ao ritmo da rapper. Entretanto, “Bate a poeira“, felizmente, tem um resultado muito parecido: mensagem, agito e qualidade. Aí, você encontra também uma mais lenta e romântica como “Que delícia” e uma mais “pancadona” como “Gueto ao luxo“, sem perder sua identidade.

Difícil escolher parcerias mais adequadas. Rincon Sapiência e Tuty, que chegaram na “Sandália” e na “Olhe-se“, respectivamente, são donos de dois dos flows mais diferenciados do RAP Brasileiro e conseguiram acrescentar muito à ideia das músicas e ao ritmo.

Muita gente vai questionar o “RAP” do trabalho, apontando que as letras não são tão politizadas. Discordo. Pra mim, RAP é, além de ritmo e poesia, ser verdadeiro com você mesmo, cantar as verdades do mundo ao seu redor; por isso, sempre temos sons únicos: cada um tem o seu ponto de vista das coisas.

“Batuk Freak” é a cara de Conká. Ela nunca foi preto no branco! Aliás, a expressão é literal: é só você ver suas apresentações, a capa do seu CD e o nome dele pra você entender. Ela é colorida da cabeça aos pés e seu som não poderia fugir disso. Quando cê a vê, é difícil não se contagiar por sua alegria. E ela conseguiu refletir isso no seu CD!

Por trás das batidas frenéticas, Conká transmite sua mensagem, sua diversão e deixa boa parte de si ali. Impossível ouvir sem imaginar a própria rapper gingando enquanto canta. Se o “batuk é louco”, ficou difícil não pirar…

Batuk Freak – Karol Conká

  1. Corre, corre Erê
  2. Gueto ao luxo
  3. Vô lá
  4. Gandaia
  5. Você não vai
  6. Bate a poeira
  7. Sandália (part. Rincon Sapiência)
  8. Mundo loco
  9. Que delícia
  10. Olhe-se (part. Tuty)
  11. Boa noite
  12. Caxambu

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