Mano, eu to puto. Já vou logo falando que isso me deixou nada feliz. Como que os caras têm coragem de investir um tempo da vida pra escrever um trampo; investir outro pra entrar num estúdio, na tranquila, gravar esse trampo; investir mais uma cota nas produções. Botar as cabeças juntas pra pensar num nome, escolher “Sulicídio”, na febre, e não mencionar nem um rapper da região Sul. NEM UNZINHO SEQUER.

Tudo bem, tudo bem, pra quem é do Nordeste, tudo abaixo é sul, mas fala da gente, chapa. Não importa se é diss ou como queiram chamar, já tá batendo os 500 mil views, só se fala disso, custava mencionar um Rafuagi, um Manifesto, um Cabes que fosse. Vamu si ajudá.

A real é que o som é uma das paradas mais revigorantes que tá tendo no momento. Enquanto uns classificam como xenofobia, outros colocam entre os melhores do ano. Independente da opinião, praticamente não se falou em outra coisa nas últimas semanas. Os caras bagunçaram e bagunçaram bonito.

Eu me inclino mais pros que acham a música boa demais, mesmo sendo de Santa Catarina. Acho que eu acharia a mesma coisa mesmo se eu fosse do Rio-SP, que eles criticam nominalmente. Provavelmente continuaria com a mesma opinião mesmo se gostasse de qualquer rapper desse eixo citado por eles. Fã de rap gosta de rap bom. As únicas pessoas que talvez não gostaram do som foram aquelas que não são fãs de rap, mas só de artistas (dos artistas “criticados”, no caso) e o Nocivo Shomon; aquelas, na grande maioria dos debates, deveriam ser ignoradas, e este eu acho que ninguém dá mais bola pros xiliques de Facebook.

Eu nem vou entrar no debate da “xenofobia” porque cês nem passaram de fase com o “racismo reverso” ainda, cês tão querendo empurrar “xenofobia reversa”? Vai se foder para lá; ou apenas se foder. Aos que consideram um “ataque” ou uma “diss”, eu só posso discordar. Quer dizer, na verdade, eu concordo que é um ataque, mas eu não vejo problema algum nisso. O rap é ataque. Me diz um rapper que se destacou, que é respeitado, que ficou na defesa. “Negro drama” é um puta ataque, “Só Deus pode me julgar” também, entre tantos outros que se tornaram hino.

Aliás, coincidentemente, 5 minutos antes de ouvir a “Sulicídio”, eu vi um vídeo antigo do Eminem comentando o verso do Kendrick em “Control”, que o Baco cita no seu verso. O Eminem diz que achou foda, que compreendeu o Kendrick e que acha que o rap é isso mesmo, deveria ser uma competição sadia nas linhas. E, além disso, os caras tinham toda essa pegada de destacar o Nordeste.

É bem verdade que Baco e Diomedes tiram nominalmente alguns caras, mas o que eles falam são só as piadinhas que já tá todo mundo ligado, não parece ter nada realmente pessoal ali; parece de verdade apenas uma crítica à atenção absurdamente maior que se dá ao Rio-SP.

Eu sei que ainda é cedo e, como em 2015, quando eu falei do verso da Drik, escutei pouca coisa este ano, mas a minha primeira reação foi “esta é a melhor coisa que ouvi em 2016”. Desta vez, o que me chamou atenção não foi exatamente a técnica ou o conteúdo, mas a coragem de mandar todo mundo se foder e a categoria pra fazer de um jeito que até quem é mandado se foder consiga “entrar na dança”; porra, o som é divertido pra caralho, daqueles que cê precisa escutar umas duas, três vezes a cada play.

E ainda tem toda essa importância de mostrar como existe muita coisa boa espalhada pelo Brasil que, às vezes, cê nunca ouviu falar. Vi muita gente falar que torcia pros rappers de suas cidades não quererem crescer “atacando” outros rappers. Parça, cê devia ficar menos preocupado com as coisas que seu rapper faz ou deixa de fazer e mais preocupado com o porquê de ele/ela ainda não ter se destacado (por “se destacar” não me refiro a sucesso e sim a respeito, reconhecimento merecido).

Como eu falei, os caras fizeram um som chamado “Sulicídio” só se referindo ao eixo Rio-SP. Por essa lógica, os caras aqui do Sul mesmo deviam fazer um som chamado “Norticídio” também só se referindo ao eixo Rio-SP. Comentei isso no twitter logo depois que ouvi o som dos caras e qual foi a minha felicidade mais além em ouvir o remix do Big MC Tchê. Foda. Como ele mesmo diz na descrição, não é sobre este ou aquele nome, mas sim sobre a atenção exagerada ao eixo Rio-SP em detrimento dos outros estados.

O pior é que sempre notamos esse problema nos veículos de massa e acabamos trazendo para o rap também. Não acho nem que seja maldade deste ou daquele veículo especializado, muitas vezes é estrutura mesmo. Mas, a questão é não deixar passar despercebido e tentar combater; tentar achar alguma alternativa pra conseguir pautar, com a mesma qualidade, os artistas dos mais diversos lugares. Os próprios veículos em questão podem ficar ligados. Acho que tem melhorado.

Uma coisa é certa: no bate-cabeça, ladrão, se Rio e São Paulo tavam lá, pode ter certeza que o Nordeste e o Sul também tavam. E muito bem representados.

Não perca mais nenhum post!

Qual a sua opinião?

3 Comments

  1. Rap e ataque sim mas o que os cara fizeram igual citas “piadinhas “não existe homem e homem muleke e muleke os cara vem e ataca os cara de SP RJ com o governo fudendo eles e nos e o cara chega mandando um onda de patifarias rap bom reconhecemos e por isso vira hino agora moda não chega levanta os pela e já cai de novo rap e realidade…agr rap e minha vida por ele eu sangro por ele eu desacato o rap pra mim Razão Amor Paz..na minha razão vcs implorar amor e paz..

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