Mesmo com alguns problemas pra manter o grupo e sem causar o mesmo arregaço do fim dos anos 90, começo dos 2000, o Facção Central ainda desperta o interesse dos fãs e ganhou um certo destaque com o recente lançamento do clipe “Colecionador de lágrimas”.

Dirigido por Gera Cappadona e Cascão, do Trilha Sonora do Gueto, o trampo foca no esforço diário de um catador de itens recicláveis, que embora faça um trampo louvável e em auxílio ao meio ambiente, muitas vezes não é reconhecido pela população e até tirado, como no caso do vídeo.

Como é comum nas produções do FC, a “opressão” ao trabalhador parte de um personagem que aparenta ser de uma classe social mais alta, ou seja, com mais grana que a maioria. Embora continue uma observação válida, parece pré-histórico tratar as coisas dessa maneira, tão preto no branco. Até porque, talvez um dos maiores problemas hoje seja a desunião da própria quebrada (coincidentemente, o Eduardo fala muito sobre isso no seu livro).

O resultado é o catador “devolvendo” a tiração com uma armação que custa a vida do outro. Aqui, eu prefiro imaginar a figura maior. Prefiro pensar numa posição do tipo: “uma hora a gente se enche de tanta opressão e responde, e não vai ser bonito”. Meio que aquela do Emicida: “E se a maioria de nóis partisse pro arrebento? A porra do congresso tava em chama faz tempo!”.

No fim, uma lembrança dos incêndios criminosos nas favelas causados pela especulação imobiliária, que só reforça o que acabei de escrever no parágrafo anterior. Uma pequena homenagem a tantos que ficaram sem casa pra que outros conseguissem suas terceiras e quartas casas. De fato, não deve demorar muito pro arrebento acontecer.

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