Quando você fala “5 anos”, não parece muito tempo. Ainda mais logo na sequência de você acompanhar as comemorações de 25 anos do Racionais. Mas, quando você para pra pensar e vê quantas coisas passaram, parece que faz um século.

Posso confirmar essa impressão, pois fiz esse exercício durante os últimos dias. Quando Rashid anunciou o show em comemoração aos 5 anos do CD “Hora de acordar” e lembrou, na última terça (31), a data exata do lançamento, um filme passou pela minha cabeça.

Conheci o trampo do rapper pouco depois do lançamento e lembro até hoje de como eu sentia que os versos falavam comigo. Lembro que em algum momento escrevi aqui no site que ele era o “patinho feio” do trio formado ainda por Emicida e Projota. Acho que a analogia ainda faz todo sentido. Porque embora ele tenha demorado mais que os outros dois pra ser reconhecido perante o grande público, ele se tornou tão respeitado quanto e até mais, dependendo do ponto de vista.

Rashid sempre foi um puta letrista. Vocabulário, conteúdo e versatilidade nas temáticas. Mas, eu acho que o que me fez notar cada uma dessas qualidades, foi uma outra: a energia que ele transmite em cada faixa. E, talvez, ainda mais em “Hora de acordar”, quando tudo era uma conquista. Não à toa, “E se” se tornou um clássico e é tão comentada até hoje; não à toa, ele fazia parte do coletivo “Um só caminho” e contou com a participação pesada do Marechal no disco.

Enfim, o que eu quero dizer com tudo isso é que eu tenho até uma certa inveja de quem conseguirá colar no show do dia 11. Sem dúvida alguma será inesquecível pra todos os presentes, uma positividade única.

Sem mais delongas, bora dar ao povo o que é do povo. Ligamos o Rashid e eles nos contou 5 curiosidades que não sabíamos sobre o CD “Hora de acordar”. Acendam as luzes pra ele!

1. A batida de “Bilhete” não era pra mim

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“Inicialmente, ela nasceu numa das sessões do Kamau com o Nave enquanto ele trabalhava no álbum ‘Non Ducor Duco’. O Kamau conhecia essa letra e lembrou de mim assim que ouviu a base, e pediu pro Nave passar pra mim. O Nave topou e a música nasceu. Eu nem ao menos conhecia o Nave naquela época. rs.”
 

2. A música “Hora de Acordar” nasceu de uma forma diferente

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“Eu gravei uma a capella da minha voz com a primeira parte da rima e mandei pro Marechal, com um BPM definido. Ele e o Luiz Café construíram todo o instrumental em volta disso. Quando fui gravar, a música estava de um jeito X. Gravei as 2 partes e ficamos esperando o Luiz Guima mandar o refrão, e os caras ainda iam terminar a batida. Faltando poucos dias pra mandar o disco pra fábrica, eu ainda não sabia como a música estava, até que eles finalmente mandaram e o resultado foi infinitamente acima do esperado.”
 

3. Era pro disco ter apenas 5 faixas

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“Naquela época, eu fazia parte do coletivo Um Só Caminho…, outro motivo pelo qual fui gravar o EP em Niterói, no estúdio do Marechal. Inicialmente, a ideia era fazer um “porradão de 5″, com apenas 5 faixas pra vender a 5 reais (Inclusive a música Porradão de 5 nasceu nessa época). Mas depois de muito pensar, optei por lançar 9 faixas mesmo. Achei que era necessário por algum motivo, sei lá … rs.” [Você já imaginou se alguma das faixas não tivesse existido? Impossível cortar qualquer uma delas!]
 
 

4. O CD quase não foi vendido em loja alguma

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“O EP poderia ter vendido bem mais nos seus primeiros dias, mas eu tinha um pensamento maluco e decidi que não mandaria pra nenhuma loja. E, durante os 3 primeiros meses, eu atendia o telefonema dos lojistas e dizia que não iria levar CD nenhum. rsrs Quando lançamos, tínhamos uma meta: vender 3 mil cópias em 6 meses. Na época em que o Marechal falou isso, eu aceitei, mas no fundo eu achava impossível. No fim, batemos a meta com bastante folga.”
 

5. 90% do EP foi gravado em 2 semanas que passei em Niterói

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“Acompanhei todas as etapas de mixagem, ficava ali tipo um papagaio de pirata no ombro do Luiz Café. Isso foi final de 2009, mesma época em que conheci o DJ Caique. E foi no estúdio dele que gravamos os refrões de “Vamo Aí” e “Por Quanto Tempo”. “Uma Chance” foi gravada na zona sul de SP, no estúdio do caras do Pentágono. O Apolo, (produtor da faixa) Rael e eu escrevemos o refrão ali na hora.”

*Bônus*

Era pro Kamau cantar o refrão da “Bilhete”, mas ele gravou e não gostou muito, aí chamamos o Fióti. Mas isso foi bem antes do EP.

Não perca mais nenhum post!

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