Conhecido como o “clipe que nenhum diretor quis dirigir“, “Calix-se” cumpriu sua promessa de ser polêmico. O novo clipe do Trilha Sonora do Gueto, que acabou sendo dirigido pelo Vras 77, chegou no começo deste mês e tem assunto pro ano todo.

E o principal assunto é: que porra que esses caras fizeram? Você começa a ver e é maneirão. O filho sentindo falta do pai que tá preso; o pai confortando o filho da maneira que pode. Trampo lindão, melhor produção deles em um bom tempo.

Aí, vem o terceiro ato. O problema. Sozinha, a cena do Cascão metendo de dedo no empresário é clássica. Daquelas cenas que você queria ver à vera, queria que realmente tivesse rolado.

Mas, como isso soma aos mais de seis minutos anteriores? Você não pode simplesmente largar a história de um clipe no meio e partir pra uma crítica direta dessas. Quer dizer, você pode, mas não faz sentido.

Assisti e reassisti ao trampo. Assisti ao making of. Finalmente, consegui organizar algum pensamento pra colocar aqui no site. Primeiro, vamos às obviedades.

A colagem de “Cálice”, do Chico Buarque, uma crítica à ditadura em uma época que críticas não podiam ser feitas. A temática vai bem de encontro com o que o Cascão tem falado sobre nenhum diretor querer dirigir seu clipe e o censurarem por querer dizer isso e aquilo, embora, claro, seja exagerado até sonhar com qualquer comparação.

Outra parada é a óbvia diss aos caras da Bagua Records. Cascão critica geral que, na visão dele, mudou, e afirma que a nova geração, a geração do filho, é quem vai ter que continuar com a revolução, como se dissesse que a anterior já havia desistido. Mas, ele guarda uns versos especiais pros caras da “vida de gado”. Pra não entrar em muitos detalhes, até porque nem tenho tantos assim, você só precisa entender que o dono da produtora faz/fez uma puta grana com fazendas. A linha “Vai de gado do seu pai da conta tomar” começa a fazer sentido, né?

Num primeiro cenário, pensei no Cascão e os parças se reunindo pra marcar mais uma. Mas, algo dá errado, ele volta pra prisão e troca a ideia com o filho. Quando ele sai, sei lá, resolve criticar os caras que não assumiram os mesmos riscos que ele, resolve “bater” em quem não cumpriu o que falou. Além do que eu falei antes, sobre não fazer sentido essa mudança brusca na ideia, tem também o fato de destacarem o Cascão falando que confiava, que não ia dar erro. Tem algo que não bate aí.

Então, surge o segundo cenário que é o que eu escolhi acreditar. Na verdade, ele é bem simples e até me acho meio idiota de não ter pensado isso de cara. Eles se encontram no começo do clipe e a combinação não é de mais um corre, mas sim de ir visitar o tal empresário visto no final. Chegando lá, o Cascão tem umas poucas e boas pra mandar pra ele, mesmo que o amigo já tenha pegado a grana e já tenha fechado o contrato. No meio, a relembrança da época da cadeia, até porque, pro Cascão, essa fase é extremamente marcante na sua vida e na própria vida do RAP. Ele até fala na letra sobre a revolução ter surgido lá dentro, o que é um pensamento compreensível tanto fora do RAP, com o poder de enfrenta que o PCC mostrou ao governo, quanto dentro, ao vermos o surgimento de grupos como Pavilhão 9 e 509-E.

No final das contas, embora talvez a visão mais forte seja do filho fora da cadeia dialogando com o pai lá dentro e fique a mensagem do correr pelo certo, o clipe é todo sobre o RAP. De novo. Sobre como foi a cena antes, o que ela se tornou, o que é agora e o que pode ser, na visão do T$G. Uma coisa não podemos negar: se for pros caras manterem no tema, tem assunto pro CD novo inteiro.

Não perca mais nenhum post!

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