A nigeriana Chimamanda Adichie elucidou da melhor maneira possível um problema bastante comum no nosso dia a dia: o perigo da história única, como ela chama. A escritora fez sua apresentação no TEDGlobal, em 2009.

Lendo assim por cima, “história única” pode confundir. Prefiro popularizar como “um lado da história”. Ela começa falando sobre a infância, quando muito cedo começou a ler, mas apenas contos estrangeiros. Assim, ela acreditava que as grandes histórias não podiam ter “personagens como ela” e que tudo aquilo que ela convivia ao seu redor era o máximo que ela conheceria.

Depois, ela ainda complementa dizendo que quando começou a escrever suas próprias histórias, elas também eram moldadas por essa ambientação estrangeira, mesmo ela não sabendo o que certas coisas significavam de verdade; o fato de conhecer apenas aquele tipo de texto fazia com que ela acreditasse que aquele era o único jeito de escrever um texto.

Se isso já não fosse o suficiente pra um bate-papo gigantesco, ainda tem mais. Adichie ainda fala sobre o problema com os estereótipos que nos limitam a conhecer as pessoas de verdade e a ideia de generalização. Ao ler em seu livro que o pai nigeriano era extremamente violento, um aluno disse não saber que os nigerianos (todos eles) eram assim; a escritora respondeu com “Psicopata americano”: “não sabia que todos jovens americanos eram psicopatas”.

Posto desta maneira, o “perigo da história única” é, possivelmente, um dos grandes problemas da nossa sociedade atual. Criar uma concepção completa de alguém, de um país, de um continente, etc, apenas por uma informação que temos beira o ridículo, mas é o que quase sempre acaba acontecendo.

A escola é um perfeito exemplo. Nosso material estudantil padrão fala sobre os bandeirantes como heróis desbravadores, quando poderiam muito mais facilmente ser associados a assassinos. O mesmo vale para os portugueses, grandes “heróis” dos mares. Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil tanto quanto eu posso entrar agora na sua casa e dizer que descobri ela também. Etc, etc, etc.

Quando a gente é criança, esse tipo de informação é “fatal”. Absorvemos quase por completo o que nos é passado; a possibilidade de questionamento é mais difícil e acabamos levando isso pra vida toda. Mas, chega uma hora que precisamos voltar ao começo e questionar até os nossos próprios pensamentos.

A ideia final é que tentemos ao máximo não acreditar e não nos deixar levar por uma única opinião sobre algo ou alguém. Como Chimamanda Adichie define, parafraseando Alice Walker: “Quando nós rejeitamos uma única história, quando percebemos que nunca há apenas uma única história sobre lugar algum, nós reconquistamos um tipo de paraíso.”

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