Aos ouvidos mais atentos no Rap, o nome pode soar familiar, já para outros, pode ser totalmente desconhecido. Quem é Conte Lopes?

Este emblemático nome é citado em diversos trechos de Rap brasileiros, como “Fala Que É Nóis“, do Trilha Sonora do Gueto, “Tá Na Hora“, Consciência Humana, “Alô Polícia“, Império Z/O, “Informante“, De Menos Crime e muitos outros sons, mas afinal, de quem se referem?

Nascido em 14 de Maio de 1947, em São Paulo, Roberval Conte Lopes Lima, mais conhecido por Conte Lopes, é um polêmico político e ex-policial militar brasileiro, antigo 2º tenente da ROTA, (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), e responsável de acordo com ele mesmo, pela morte de cerca de 150 pessoas durante seus anos de atuação na unidade de polícia.

Tais números são extremamente surpreendentes, chegando a superar a quantidade de vítimas do terrível Massacre do Carandiru, onde 111 detentos foram assassinados pela Polícia Militar do Estado de São Paulo, quando o atual coronel da época, Ubiratan Guimarães, autorizou a invasão ao Pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo para conter uma rebelião que ocorria.

Atualmente Vereador de São Paulo, Conte Lopes está na lista dos dez maiores matadores da história da Polícia Militar, ficando em terceiro lugar, e de acordo com o livro ROTA 66, de Caco Barcellos, “desde a sua chegada na Rota, em 1974, sete anos depois de ter se alistado na PM, Conte Lopes persegue o sonho de ser reconhecido como o maior de todos os matadores“.

São números assustadores, ainda mais vindo de um ex-membro de uma instituição que deveria garantir a seguridade de cada cidadão da sociedade.

Nas falas do ex-PM, costuma-se escutar sempre palavras como, “matei somente vagabundo”, “matei bandido”, “estava defendendo a sociedade”, entretanto investigações, sendo algumas delas feitas pelo próprio autor do livro ROTA 66, indicam situações suspeitas levantadas depois das mortes. Barcellos encerra seu livro com o trecho, “Minha investigação revela que muita gente se engana ao alimentar a sua fama de matador de bandidos. Em nosso Banco de Dados, pelo menos, o deputado Conte Lopes não passa de um matador de inocentes”.

Muitas das cerca de 150 mortes resultadas durante anos de ações quando ainda era 2º tenente da ROTA possuem características evidentes de homicídio, como tiros exatamente na cabeça, alguns deles disparados pelas costas, levando a crer que várias das vítimas ao invés de morrerem em confronto, como oficialmente eram dadas as mortes, foram na verdade assassinadas.

A história de Conte Lopes começa no ano de 1967, quando ingressa na PMESP (então Força Pública do Estado de São Paulo) na graduação de soldado, pouco tempo depois, torna-se cabo por meio de aprovação em concurso próprio. Em 1970 é aprovado e ingressa no curso de formação de oficiais da PM da mesma corporação, graduando-se, ao final deste, como 2º tenente nas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, a polêmica ROTA. Suas ações se deram em uma das épocas mais repressivas da história da Polícia Militar, eram tempos de ditadura, da qual a instituição participou ativamente da instalação após ajudar na derrubada do então Presidente da República, João Goulart. Na época a ROTA era um dos principais órgãos de combates a guerrilheiros e um dos principais mentores da ordem pública.

Durante a época ditatorial, bancos de dados indicavam números assustadores de mortes provocadas pelos esquadrões da ROTA, que durante aquele tempo se mantinha mais na atuação à serviço de órgãos da ditadura.

A Polícia Militar de São Paulo, em 1975, era composta de 50 mil homens, a maioria envolvida na repressão ao crime, possuindo a ordem de atirar somente em último caso. Sua prioridade era prender suspeitos e levá-los à julgamento na Justiça. Passado o período mais severo da ditadura, os PMs passaram a utilizar métodos similares contra os suspeitos de práticas de crimes comuns. As histórias registradas são impressionantes e inverossímeis, indicando uma operação sistemática de massacres sem justificativa. Caco Barcellos, em seu livro ROTA 66 diz: “A narrativa do histórico dos fatos tem geralmente a mesma sequência. O PM desconfia de alguém na escuridão. O suspeito foge disparando a arma. O policial revida e atinge o suspeito. Socorrido, o ferido morre a caminho do hospital. A condição de vítima ou de agressor geralmente é invertida, como aconteceu no caso Rota 66. O morto é sempre o culpado pela morte dele. Naturalmente, a cada novo tiroteio são mudados os nomes das pessoas envolvidas, a data, o local, a hora do crime.”

A conduta criminosa e brutal de repressão da PM fica evidente neste trecho, quando através de fuzilamentos, espontaneamente age através de uma simples desconfiança e intencionalmente assassina uma pessoa, onde ali é forjada uma situação, muitas vezes com desaparecimento de documentos para não ficar clara se a pessoa era ou não criminosa, sendo enterrada como indigente, quando na maioria das vezes é na verdade um trabalhador, desempregado ou estudante, todos mortos sem ao menos terem tido uma passagem pela polícia.

Desde a década de 70 era esta a postura da ROTA, e foi este o cenário onde Conte Lopes começou sua atuação até ocasionar cerca de 150 mortes, com suspeitas de assassinatos em muitas delas.

O grupo Consciência Humana foi um dos primeiros e o grupo a bater de forma mais firme contra a instituição e contra o ex-PM. Em entrevista à Radioagência NP, Preto Aplick, integrante do Consciência, afirmou, “Nós vivíamos correndo deles. Aí escrevi a primeira música que se chama Terror em São Paulo. A partir dessa daí já tava trazendo as ideias de quem convivia com esses caras na madrugada. Passei parte da minha vida na rua. Então eu bati de frente com eles. Então viemos escrevendo essa história. No meio dessa música pra lá, eu encontrei o Conte Lopes. Ele invadia os barracos, deu tiro na boca do meu tio. Foi aí que veio essa música Tá na hora.

Logo depois do lançamento da música Tá Na Hora, da qual mencionava o nome de Conte Lopes e outros policiais acusados de participar de vários homicídios, vieram várias ameaças. Lopes chegou a pedir para que parassem de cantar a música, caso contrário se encrencariam. Durante a época, de acordo com os próprios integrantes, a ROTA chegava aos shows e ficava perto do palco, intimidando-os para não cantarem a música.

Tal postura da instituição deixa evidente o caráter fascista da polícia brasileira, que só em São Paulo, de acordo com pesquisas, com uma população oito vezes menor, entre 2005 e 2009 matou mais do que toda a polícia norte-americana, sendo considerada então uma das que mais mata em todo o planeta, com um número de 5 mortes por dia.

A dupla Dexter e Afro-X, na época ainda 509-E, foram um dos que bateram de frente com Conte Lopes, e durante a ocasião, questionaram suas ações e posição. A cena faz parte do documentário “Entre a Luz e a Sombra“, e o resultado não foi inesperado, a conversa foi encerrada por causa da grande discussão gerada.

Explicado quem é, Conte Lopes no final das contas acaba por ser uma das figuras, se não a figura mais representativa da atual face da polícia brasileira e seu caráter fascista de atuação e extermínio, que necessita ser imediatamente abolido e ter seus criminosos que compõem esta instituição punidos. A discussão envolve também uma questão social ampla sobre quem realmente é a vítima, enquanto estudos comprovam que o Brasil possui cerca de 11 milhões de favelados e apenas 1,6% destes tem ensino superior.

Não perca mais nenhum post!

Qual a sua opinião?

11 Comments

  1. Esse blogueiro é noiado! Ai quando é roubado vai registra BO, idiota! Quando precisar de ajuda vai numa boca de fumo pedir!

  2. E a interpretação de texto destes que comentaram está nota zero. Há de se entender, senhores analfabetos funcionais, que o que se expõe não é uma situação real de fuga e ataque por meio de arma de fogo para que se tenha o revide da polícia militar, e sim um “causo” contado pelos que deveriam prover a segurança para encobrir suas mãos sujas de sangue. No mais, quanto a recorrermos ao policiamento provido pela máquina pública devemos ter claro que não nos é feito favor, por mais baixo que seja o provento mensal destes no dever de suas obrigações, eles são funcionários públicos, ou seja, advindos do meu e do seu imposto. A escolha de servir a sociedade provendo segurança é de cada indivíduo que de livre e espontânea vontade o escolhe para exercer, não devendo assim, então, fazer da segurança pública berço de suas vontades doentias -talvez patológicas-, insanas e desprezível sede de morte.

    Sobre analfabetismo funcional vide google – ou mesmo releia o texto e seu comentário.

  3. Queria que vocês que defendem a policía em geral, encontrassem eles na noite, principalmente se fossem negros, queria ver se a polícia tão defendida ia perguntar seu nome antes de atirar !

    • Vai cagar eu sou negro moro na periferia e nao temo a policia…e logico que tem policial ruim mas isso tem em qualquer profissão. Sou muito mais a policia do que esses traficantes lixos que detonatam nossa cidade!

  4. Parabéns Conte Lopes ! pelo grande serviço prestado em pro da socidade de bem, o homem de bem não deve temer a policia e sim os homens do mal .

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*