Desde seus primeiros trabalhos já era fácil notar que o Terra Preta tinha um RAP diferenciado. RAP este que descobrimos ter tido umas influências “bem malucas”, talvez a grande razão pra ser incomum.

Preocupado apenas em fazer a música que o satisfaça, sem pensar muito em quem vai agradar exatamente, o rapper lançou em 2012 os seus sons mais melódicos. Entretanto, ele diz que enjoa às vezes de muita melodia e também de ficar só rimando; gosta mesmo é de equilibrar os dois, o que tem feito com muito mais propriedade nos últimos lançamentos.

E se você, como a gente, pensou que o “Homem Figa vol. 1” teria apenas uma ou outra edição, enganou-se. De acordo com o Terra Preta, a intenção é lançar um volume por ano, como um projeto de vida. E, entre o lançamento de um álbum e outro, colocar também mixtapes na rua.

Ou seja, Terra Preta continua trabalhando muito forte pra manter sua sequência de lançamentos, que sempre foi bastante alta. E, com essa vontade toda de fazer música e desenvolver novos projetos, talvez possamos ter a gravação de um DVD ainda em 2013.

Abaixo você confere a entrevista exclusiva na íntegra:

Terra Preta

Você começou nas batalhas de rima, a forma mais crua de RAP, e ano passado lançou dois de seus CDs mais melódicos, mais R&B do que RAP, talvez poderíamos dizer. Como é que você vê essa transição? Como é que cê acha que seus fãs a veem?

Na verdade eu não comecei nas batalhas de rima. Estou nos palcos desde 2002 e em 2007 quando estava na fase febre das batalhas eu estava lá também. Foi algo que experimentei e serviu como bagagem pra minha carreira, é algo que me orgulho de ter participado pois não tenho vocação pra batalhar, mas estava lá competindo com os melhores e ganhei dos melhores… Essa parada do R&B e Soul Sempre esteve forte em mim. Se você for ouvir um trampo meu de 7 anos atrás vai perceber que eu já fazia melodias. Mas era de uma forma mais tímida Hoje ganhou corpo e propriedade. Hoje sei em qual momento encaixar uma melodia no meio de um Rap. Posso dizer que não teve um ponto de transição, mas tenho planos para o futuro e vou me dedicar ao Rap da forma mais pura de novo. Basicamente eu faço a música que tenho necessidade de ouvir. Então meu trabalho é muito pra mim mesmo. As vezes enjoa muita melodia assim também como enjoa ficar só rimando. Meu Objetivo é satisfação pessoal quando faço música. Então não me preocupo quem vou atingir, se vai ser o pessoal que é fan de Rap ou se é o pessoal que é fan do meu trabalho, isso não importa mais. E todos sabemos que não se pode agradar a todos e quem tentar isso é louco. Sempre fui honesto fazendo música e vai continuar assim. o Jeito que as pessoas me enxergam não é o que realmente sou. A cada pessoa muda o ponto de vista. Então meu ingrediente é a integridade. Com isso sou capaz de chegar onde quero.

Cê provavelmente cresceu ouvindo RAP. Entretanto, tivemos poucos artistas no RAP Brasileiro que fizessem essa mistura de R&B e RAP, isso sempre foi mais comum nos Estados Unidos. Quais foram suas maiores influências pra fazer esse RAP “diferenciado” que você faz hoje?

Minha infância foi muito louca, cresci no ambiente da música Gospel e isso já traz naturalmente o lance o da Soul Music na Minha essencia. O Rap entrou na minha vida quando eu tinha 11 anos e desde então sempre colecionei vinis, até hj tenho uma prateleira abençoada, com muitos clássicos da música mundial. Posso dizer que já ouvi Rap de todos os continentes principalmente em meados de 2000/2007, ouviu muito Rap Frances, Angolano de toda a America Latina… Na Real de qualquer continente que você possa imaginar… Tudo isso por causa das pessoas que eu me relacionava. Então tinha hora que eu tava ouvindo “Wu Tang” e pulava pro “Chico Buarque”, de “Mexicano 77” pra “Tracy Chapman”, Do “La Brigade” pro Alibi de “Arsonits” Pra “Baby Face”… Então meu repertório de influencias é meio louco, já ouvi tudo desde rock a Música Clássica.Rock, Raimundos, Rage Against The Machine, Sistem of A Down, Limp Bizkit etc… Na soul Music Marvin Gaye, The Manhattans e etc… Não tem grupo de de Rap Underground dos Anos 90 que eu não conheça… Mas não só ouvi, como sou muito fan de todos esses Artistas. Sou um cara desprendido do Rap meu lance sempre foi com a música então nunca me importei com nada e sempre me coloquei em outros universos. Faço o que acho certo sem me prender. No entanto o R&B é algo que amo e sempre que posso adiciono ao repertório. Por isso que minha música não é presa a formulas. Geralmente eu estou sempre me auto-desafiando a conseguir fazer algo diferente e sair da minha zona de conforto e toda essa bagagem que tenho possibilita isso.

Falando mais diretamente sobre “Homem Figa vol. 1”, qual sua música preferida? Aquela que, por algum motivo, você mais gostou de fazer?

“Os Muleke É Zika” é uma música Fenomenal. Lembro que ela saiu de um Freestyle. É do tipo de som que parece que já existia antes de ser feito…

Como surgiu essa ideia de dividir o álbum em volumes e quando teremos o próximo? Serão apenas 2?

Esse trabalho é testemunha da minha vida. O Projeto “Homem Figa” veio como uma obra dividida em partes, então cada Album vai dar continuidade ao outro é como uma saga e ela vai acompanhar meu processo de evolução. Está planejado o próximo volume para o último trimestre desse ano. Já estou trabalhando nessas músicas, o processo de Álbum é diferente, gasto mais tempo com detalhes, tanto técnicos como de enredo.

O que você pode nos dizer sobre o próximo CD? Vai ser ainda mais R&B ou você acredita que alcançou a mistura perfeita em “Homem Figa vol. 1” e tenderá a manter a formula?

Então como vocês devem ter percebido. O “Homem Figa” é meu projeto de Vida. Esta planejado na minha agenda ter um volume por ano. Nesse momento estou gravando uma novo trabalho chamado “Inevitável Mixtape”, que será lançado antes da metade no ano e que está ficando muito bom, acho que estou voltando ao mesmo espírito da Milionário em Treinamento, só que dessa vez os assuntos são mais pessoais e atuais. Tem muito R&B, mas deixei um momento bem expressivo pro Rap. Gosto das coisas equilibradas. Não quero ser considerado um representante de um estilo porque acredito que a música verdadeira não é técnica nem presa a padrões. No caso do Homem Figa, as músicas são atemporais. Me preocupo em trazer minhas referencias, por isso no Vol. 1 vocês escutaram coisas que soam como bossa nova, outras como rock outras soul music… O Homem Figa é um projeto que me aproxima da arte em todo e nas letras eu coloco em cada música um pouco do pensamento da F.I.G.A Filosofia – “Fazer A Imaginação Gerar Algo”.

Além do CD, o que podemos esperar para 2013? Muita gente pede a gravação de um DVD, é uma possibilidade?

Aqui na Quebrando Record’s o clima já começou a mil esse ano. Temos muitos lançamentos na agenda. Incluindo Videos, Tanto do Homem Figa quanto da Mixtape. Em breve vou disponibilizar pra Download Minha discografia com todos os trabalhos em que estive envolvido, com raridades, músicas ouvidas por poucas pessoas, um grande pacote com mais de 100 músicas, desde os anos remotos de 2003 até agora. Enquanto ao DVD. Desde o ano passado tem sido cogitado a gravação de um. Já tenho repertório o suficiente pra fazer isso e algumas pessoas interessadas nesse acontecimento. Se for acontecer, será provavelmente entre a “Inevitável Mixtape” e o “Homem Figa Vol. 2”.

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