Não sei se todo mundo viu, mas circulou pela internet um vídeo do Morgan Freeman falando sobre racismo. Ou melhor, falando em não falar sobre o racismo. Mesmo que muita gente tenha concordado com ele, resolveram espalhar o vídeo por todos os cantos. Ou seja, eles concordaram em não falar sobre o racismo falando sobre ele. Irônico, não?

Vi e li muitas pessoas concordando e muitas discordando e, por incrível que pareça, a maioria possuía bons argumentos, pra ambos os lados. Temos uma discussão (voz do Everaldo Marques e Paulo Antunes)!

Este é um blog de opinião e RAP; o assunto é racismo. Não havia como ficar de fora. Mas, se vou falar sobre racismo, não poderei falar só sobre o vídeo, mas também não poderei ir muito além, senão teriam que ser feitos centenas de posts. Tentarei ser o mais amplo e objetivo ao mesmo tempo possível.

Além de toda discussão que foi criada nas redes sociais, este post tem também um pouco de influência do post do Comunicadores.

Agora que você com certeza viu o vídeo, podemos falar sobre ele. Posso falar sobre ele, certo? Ah, é sobre o racismo que não posso falar. Ok, ok. Freeman começa repudiando o “Mês da Consciência Negra”, que aqui no Brasil seria o nosso “Dia Nacional da Consciência Negra”. De acordo com ele, o Estados Unidos não precisa de um mês para “destacar os negros” porque os negros já são os Estados Unidos, a história do país, já estão na alma disso, não há como falar disso tudo em um só mês.

Bom, isso é óbvio, não é mesmo? Se você pensar que o “Dia da Consciência Negra” é o único dia do ano que você deve pensar que existem negros, então sim, é um dia inútil. Mas, penso diferente: se não fosse o “Dia da Mulher”, você saberia alguma coisa sobre a revolução que aquelas mulheres fizeram?

Assim como o dia de várias coisas, como o “Dia de Tiradentes”, o “Dia da Consciência Negra” não é um dia pra você diferenciar negros de brancos, mas sim pra você entender e conhecer mais da história e da luta que os negros passaram pra chegarem aqui. Sim, eles tiveram de lutar e muitos morreram pra TEREM OS MESMOS DIREITOS QUE OS BRANCOS!

E não me venha com essa merda de “Ah, e por que não há um ‘Dia da Consciência Branca’?”. O dia que o branco for minoria e tiver que se unir pra conseguir sobreviver em uma sociedade na qual o negro toma conta, então poderemos falar sobre isso.

Morgan Freeman e o racismo

Tá, vamos seguir para a parte mais interessante do vídeo. Muita gente entendeu que o ator quis dizer para não falarmos sobre racismo, no sentido de esquecer isso, deixar pra lá. Eu discordo, pra mim Freeman apenas afirmou que a solução para o racismo é pararmos de ver as pessoas como negras e brancas, e passemos a vê-las como pessoas, sem distinção de cor.

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que, na minha opinião, chamar alguém de branco/negro não é problema algum, não é racismo. As pessoas são diferentes, de cores diferentes, sim. Se eu precisar, por algum motivo que seja, descrever alguém, eu vou dizer que ele é negro, branco, roxo, rosa. O problema é que as pessoas costumam carregar certas conotações junto com as cores e é aí que mora o perigo. Se eu deixar de contratar alguém por ele ser dessa ou daquela cor, é racismo. Se eu ligar a sua cor a um defeito ou atitude sua, é racismo. E assim vai…

Morgan Freeman não está errado. De maneira alguma. Afinal, se pararmos de distinguir as pessoas como negras e brancas, não teremos mais racismo, porque não teremos mais “raças” diferentes. Entretanto, a questão é gigantesca para uma resposta tão ingênua.

Dizer que a solução para o racismo é parar de distinguir as pessoas como negras e brancas é o mesmo que dizer que a solução para controlar a violência é pararmos de bater um no outro. É óbvio! Isso não é solução pra nada! Se tudo fosse assim tão simples, não haveriam mais problemas no mundo!

Eu não estou criticando o Morgan Freeman, ele deu a resposta ali na hora, é um programa de TV, não há como fazer toda uma reflexão sobre o assunto. Mas, estranhei demais quem o tratou como gênio da humanidade por essa resposta.

Se eu sei qual a solução para o racismo? Não. É uma questão muito grande para apenas uma resposta. Só sei que ele não pode ser ignorado. Achar que o racismo acabou ou que não existe é o pior. Já dizia o Gabriel o Pensador: “O racismo é burrice, mas o mais burro não é o racista; é o que pensa que o racismo não existe”.

Acredito que tudo comece com a educação e a melhoria do judiciário. Afinal, se nossas leis (e os que as julgam) são diferentes para negros e brancos, então é impossível acabar com o racismo. Joaquim Barbosa como presidente do STF? Progresso! Cotas raciais? Tapa-buraco pra tentar cobrir a merda que estão fazendo na educação do nosso país. Opa, falei demais, esse já é assunto pro próximo post.

*Gostaria que todos entendessem que este é um post com muita opinião pessoal e, assim sendo, quanto mais gente comentar, melhor. Entretanto, a minha opinião não é mais importante que a sua e vice-versa. Mantenham o respeito nos comentários também e vamos fazer um debate da hora!

Não perca mais nenhum post!

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